terça-feira, 27 de novembro de 2012

Às vezes, um alinhamento desfavorável dos astros obriga a que eu recorra por economia de tempo aos gratuitos serviços do Henrique Raposo, mas isto apenas e tão só para debelar uma questão elementar.


 
No meu caso, tenho tudo contra as Câmaras, contra os artistas e já agora contra o anormal do Henrique Raposo que não obstante estas duas frases ligeiramente acertadas é um monumental parvo em tudo o que resta sobre a superfície desprotegida do globo. A todos os que confundem o mercado (conceito económico) com o mercado do Bulhão (conceito estúpido), venho relembrar que as escolhas dos consumidores num mundo sujeito às regras da física ditam sempre uma distribuição de valores, são sempre uma qualificação do mundo entre os bons produtos e o «lixo», como demonstra a singela, pressurosa e inefável existência de painéis de qualidade nas editoras (constituídas por professores conselheiros, conselhos editoriais, e todo um conjunto de merdas, ou o caralho que o valha) e não só qualificam como lixo aquilo que dezenas de leitores escrevem (ao não fazer da publicação uma competição sujeita ao mercado) como contribuem com os seus critérios de escolha e trabalho militante para o esmagamento da pluralidade com a multiplicação de entrevistas ao José Luís Peixoto (mais uma hoje, no jornal I) na vã tentativa para reduzir o gigantesco risco de editar uma merda numa área da qual não percebem um caralho, e em face do investimento inicial; simplesmente esses painéis de qualidade são ocupados por pessoas que não gostam nem de ler, nem de livros. A vida é simples, quando o tempo e a inteligência nos assistem.

 
Gostaria ainda de lembrar a todos seres vivos e organismos inanimados que nós não somos nada nem ninguém para criticar a aspiração do Tolan em se juntar aos medíocres mas já somos alguma coisa e muito alguém para criticar o alf em criticar a aspiração do Tolan em se juntar aos medíocres. A grande descoberta da minha vida - pelo qual serei imortalizado em estátuas de plástico vendidas em loja chinesas e sujeitas às mãos maviosas das adolescentes ou de bronze em praças suburbanas e sujeitas aos imaculados e naturalmente puros dejectos dos pombos cinzentos - reside na falácia liberal do mercado do livro. Se ninguém tem o direito de criticar as escolhas dos editores e dos comensais, então ninguém tem o direito de criticar as minhas escolhas e se eu decidir dedicar a minha vida a dizer mal do mercado, do José Luís Peixoto, do João Fernado Tordo, da Alexandra Eduardo Jacinto do Prado Lucas Coelho, do Pedro Mexia mas já não Mexe, de todos os que vendem mais de 50 000 livros, do Tolan, do Pedro Arroja, dos colhões do Padre Amaro, dos comentadores do Tolan, e tiver mercado que eu julgue suficiente para tudo isto, só vos resta chamar a polícia, os cães da polícia, o Marinho Pinto, as secretárias dos Tribunais, os Tribunais, os juízes e o Estado de direito, o código civil, o código penal, o senhor cónego Melo, a virgem de Fátima, ou então, aguentem-se caralho, que foram os senhores doutores que começaram por enaltecer as virtudes do mercado; eu sou apenas um humilde e fiel comentador (especialmente conhecido por só falar e não publicar a porra de um caralho) apostado em explorar a pluralidade das perversões, dos ressentimentos, dos gostos, das manias, dos génios.

Continuo a gostar de toda a gente e quero parabenizar sinceramente o valter hugo mãe pelo prémio atribuído hoje: viram bem o alcance grandiloquente deste gigantesco gesto grandioso?

7 comentários:

Ex-Vincent Poursan disse...



concordo
leia-se

P.S. em intervenções futuras, ilustres, inteligentes, trágicas, pungentes, longas, abundantes e até mesmo piroclásticas mas perniciosas pra mentalidades asmáticas… deve substituir a referência aos colhões do padre amaro pelos do padre inácio.


Anónimo disse...

Poursan, tiraste-me o pão da boca.
É muito má a confusão do crime com os colhões, tão grave como confundir escaganifobético com estrambólico

silvia disse...

subscrevo:)))
o comentário um pouco estrambólico mas assertivo do Ex-V.P

Anónimo disse...

ora cá está alguém que sabe a diferença

AM disse...

xxx

Izzy disse...

Ehehehe...Tens razao Alf. Mas... se eu nao te posso criticar por criticares, entao tu tambem nao me podes criticar por te criticar por criticares. E nao saimos disto, ves?

Suponho que isto eh um bocado a manifestacao de uma frustracao minha por te ver sempre a bater no ceguinho. Por uma vez gostava que dissesses, "esta merda esta mal e o que eu fazia, se mandasse, era isto". Eh um sonho que acalento.

Mas esta tudo bem, carry on.

Tolan disse...

A hipótese mais relevante é ser alternativa. Alternativa constituída e materializada como um objecto disponibilizado numa prateleira e com uma etiqueta de preço colada em cima. Um item de base de dados com um código de barras. Ser um Cavalo de Tróia. Estou a reler o Viagem ao Fim da Noite do Céline. Ora aí está um rico Cavalo de Tróia.