segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A quadratura do paralelipípedo: com oferta de uma imagem comemorativa das mamas de Angela Merkel, e especulações várias em torno do facto das coisas às vezes não parecerem o que são.

O comité central do Elogio da Derrota vem por este meio comunicar que, após longa e laboriosa discussão em face de um conjunto finito de quadrados de choco, manga trucidada, couve anémica, salsicha alemã grelhada (a nossa homenagem a visitas de Estado) e vinho tinto, em um dos vários e espectaculares parques empresariais à disposição do desenvolvimento psico-social da pátria, decidiu pelo mesmo meio (mudando apenas o horário) despedir-se solenemente de um dos seus membros (que parte em direção a mares desconhecidos para auferir remunerações compensatórias por ter nascido neste esplendoroso pedaço de civilização) com um adequado e bem ligeiro jantar-convívio a combinar num qualquer dia próximo futuro. Permitam que interrompa por breves instantes este post para lembrar aos meus colegas de inutilidade que devemos combinar o evento para as próximas duas semanas, não vá o Sporting descer antecipadamente de divisão, poupando sofrimento aos seus adeptos, e obrigando o país a fechar as fronteiras para impedir a fuga completa do Capital registado ao longo do eixo Cascais-Estoril.
 
 
Porém, teremos nós durante este comovente jantar ousado carpir mágoas contra o governo de Passos dias a foder Portugal? Não. Teremos nós, após o repasto, espetado os palitos com que higienizamos artesanalmente os dentes numa fotografia do Professor Doutor Almirante Capitão de Mar e Guerra, Fragata e Optimist Vitor Gaspar (um abraço ao desaparecido José Mário Bronco)? Não. Teremos nós escrito pungentes cartas colectivas a publicar posteriormente no facebook maldizendo o governo deste hugolino país (ver Wikipédia) que devora os seus filhos para melhor sustentação do seu estado psicótico-comatoso? Não. Estivemos apenas pecaminosamente a comer iguarias e a desenhar generosa e mentalmente formas de salvar a humanidade, sem ter que recorrer aos magníficos (mas para nós inatingíveis) instrumentos desenhados por Inês Pedrosa, sendo o Comité Central do Elogio da Derrota obrigado, neste caso, e por estarmos impossibilitados de fazer uso de narrativas serôdias e boçais, a rebentar com as divisões disciplinares que já todos identificámos como a origem do problema mas que teimamos em respeitar porque, tal como os ciganos de Vila do Conde, temos tenda aberta nesta rua vai para muitos anos.
 
Estaremos nós a recomendar à população que enfrente o conjunto de  políticas públicas com os mesmos instrumentos com que a ovelha enfrenta as ordens guturais do pastor? Não, o que significa que não vale a pena continuar a balir, insistindo no argumento jurídico-político num mundo cujo ambiente é cada vez mais dinâmico, automático e auto-referencial. Nisto, ngonçalves recomendou esta pequena peça literária que partilhamos com todas as empregadas do Pingo Foce, entregadores de Pizza, estivadores dos portos do mundo inteiro, e mulheres de limpeza em geral, porque na verdade, ninguém tenha a mais pequena dúvida: se é para esperar pelos amanhãs que cantam, que seja um amanhã que cante com tal estardalhaço que nunca ninguém mais se lembre do dia de ontem.
 
 
Robert Rosen, Life Itself: A Comprehensive Inquiry into the Nature, Origin, and Fabrication of Life.

Ainda não li o livro (infelizmente a Amazon ainda não consegue fazer entregas supersónicas e automáticas) mas parece que a ideia de um sistema complexo, definido como qualquer sistema que não pode ser totalmente compreendido pela divisão e análise parcial das suas partes, deve levar as pessoas que pensam a rever as ideias sobre a causalidade; por exemplo, qual é a pertinência da imagem que abaixo se aduz para o julgamento político-moral da política económica alemã nos últimos dois anos?

 
Terá a Alemanha adquirido algum poder que não procedesse das instituições democráticas sofragadas pela população de ovelhas que responde à política pastoral das várias igrejas em geral, incluindo o PCP? Terá o senhor engenheiro Francisco Louça uma solução para o problema da ética comercial em geral, da Casa dos Segredos em particular, e do facto de o Comício do Bloco de Esquerda no Campo Pequeno ter sido colonizado pelas mesmas mesas corridas forradas a panejamento vermelho, com os mesmos muitos e variados candidatos a protagonismos vários sentados bovina e paralelamente ao longo da sala, tal como todos os restantes partidos cleptocráticos do nojento sistema que a todos nos assiste, de uma forma ou de outra, uma vez que a taxa de suícidio e homcídio não tem variado assim tanto nos últimos anos?
 
Na verdade, sou obrigado a parabenizar um conjunto de filhos da puta que faz vida e adquire protagonismo a explorar a situação cómico-trágica do país, a ignorância dos políticos e a passividade da República. Veja-se este comovente exemplo de pessoas que protestam contra as injustiças do sistema, sujando as paredes com cola e papel, enquanto enchem os bolsos com os benefícios do sistema: O jornal publica ainda um longo ensaio sobre a crise, a ética e os valores assinado pela escritora Dulce Maria Cardoso.
 
Esperem: isto não é aquela senhora retornada que se notabiliza por escrever livros inconcebivelmente maus, após condições excepcionais facultadas em 2002 por uma Bolsa de criação literária, no âmbito do Ministério da Cultura de Portugal, condecorada pelo Ministério da Cultura de França, a que se seguirem outras bolsas artísticas posteriores, e vários tipos de broche, mamada, felacio e minete aplicados por todas as instituições político-culturais que ainda se mexem, sendo agraciada em 2009 com o prémio da União Europeia para a literatura, financiado pelo Programa Cultura criado pela Decisão n.º 1855/2006/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 12/12/2006 (JO L 372 de 27/12/2006), vertente 1.3, intitulada "ações especiais", sendo que não consegui aceder ao valor, a Europa nestas merdas não gosta de imitar os americanos? Isto não é aquela pessoa que beneficiando de todas as cunhas possíveis e imaginárias tem ido continuadamente ao cu dos contribuintes passeando depois em tudo quanto é orgão convencional de comunicação social que agora, por estarem esses mesmos orgãos em falência técnica, já se prepara para ajavardar as paredes de Lisboa com ensaios sobre a ética, os valores, o sentido da vida, a origem do universo e o caralho?


Mas que sabe a Dulce Maria Cardoso sobre estas merdas se tem andado a escrever sobre a comovente experiência dos retornados? Os meus pais, que são retornados, não terão uma palavra a dizer sobre estas merdas antes dos seus impostos, pagos contra o escrupuloso cumprimento de contratos de trabalho a limpar o cu a velhos e a concertar máquinas, serem dispendidos com pessoas que protestam contra o sistema? Não, não têm, precisamente porque sendo pessoas de bem, não gostam de cuspir no prato em que comem, compreendendo perfeitamente que, na ausência de uma proposta para reorganizar o sistema que lhes garante uma dada remuneração e respetivas condições de vida, esse sistema possa gastar o seu dinheiro com os parasitas literários que bem entende.
 
Eu diria que já vai sendo tempo de as pessoas que lêm livros reconhecerem que ainda não perceberam inteiramente qual é a exata localização do problema e passarem desde logo à seleção democrática, pelo cabal enfrentamento público dos argumentos estúpidos, do conjunto de indivíduos que se caracteriza pela incomensurável proporcionalidade do grau de estupidez manifestado em relação à clara demonstração da falta de entendimento de tudo em particular e de quase todas as coisas em geral.

4 comentários:

zé da bola disse...

estou a aprender pa caralho com os teus textos.

mas, sobre a dulce maria cardoso, que desconhecia, após pesquisa na net encontrei a seguinte informação:

"licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, escreveu argumentos para cinema, gastou tempo em inutilidades. Também escreveu contos. Tem fé, uma família, um punhado de amigos, o Blui e o Clude. Continua a escrever e a prezar inutilidades"
http://www.asa.pt/autores/autor.php?id_autor=1138

ora, a senhora, entre muitas outras actividades. escreve inutilidades. e preza inutilidades. ou seja, respeita as inutilidades. qual o problema? penso que está tudo bem. além disso, lembrei-me mesmo agora, afinal já conhecia a senhora. faz agora umas semanas, no programa câmara clara, programa que visiono religiosamente sempre que me lembro que sou religioso, o também escritor mário de carvalho disse que maria dulce cardoso era uma das grandes escritoras da nova geração. o mesmo mário de carvalho que tu gostavas de ver debaixo do braço de um preto.

isto está tudo ligado meu. e está, no fundo no fundo, tudo bem.

Izzy disse...

Eu hoje nao tenho tempo para ler (alguns dirao corrigir) o teu artigo pelo que me fiquei apenas pelas fotos e legendas. Ora bom, quanto ao livro, obrigada pela recomendacao mas, ja se sabe, nao tenho tempo para o ler, mas isso nao me coibe de recomendar ao comite central a audicao do espectacular programa de radio, Radiolab, http://www.radiolab.org/2008/apr/07/, mas nao se fiquem so por esse episodio, oicam todos,de rajada de preferencia e no fim vao, literalmente, sentir os vossos neuronios a multiplicarem-se, sem cansar a vista ou cortar os dedos no papel. De nada.

Quanto as mamas da Merkel, foram photoshoppadas, certo? Eh impossivel alguem com umas mamas daquelas nao ser trabalhadora da industria pornografica. Motorboat, anyone?

Capt. Paddock disse...

As notícias do meu desparecimento são manifestamente exageradas.

No intervalo da sucessiva sucessão de factos que tem sido a minha vida nos últimos dias, arranjei tempo para vir aqui partilhar uma confirmação e um agradecimento.

A confirmação. Finalmente descobri quem é que dá nome às operações da polícia: és tu.

O agradecimento. Pelo mercearia-super-hiper-link que fizeste ao site da Inês Pedrosa. A gratidão é um sentimento nobre e os teus leitores agradecem-te de cada vez que os hiper-linkas para frases daquela dimensão.

Não cometerei nenhuma inconfidência se te disser que, após ler a dita cuja frase da dita cuja escritora, soltei um dos mais belos "foda-se" da minha vida.

Abraço,

Capt. Paddock

alma disse...

Desejo um futuro risonho para "o" que se aventura sair desta praia lusitana :)

Muito obrigada pelo link :) o livro parece-me demasiado complexo para o meu limitado entendimento.

Quanto à Dulce não faço ideia quem seja, nem quero saber :)