sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Sem título porque vou a correr para um café ver a segunda parte do Cristiano Ronaldo contra o que resta das Repúblicas Socialistas Soviéticas

Passam 3 minutos sobre o apito inicial da segunda parte do ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas-Portugal, sendo por isso extremamente desagradável que a minha inteligência seja chamada a corrigir a confusão mental que grassa nas cabeças comunistas com a  ferocidade de um 25 de Novembro de 1974 mal interpretado. Tenho permanecido continuadamente perplexo com a defesa do Estado Social (vénia) levada a cabo pelas forças da ordem colectivizante, seja o PCP (vénia), o 5 dias.net (dupla-vénia), ou o Bagão Félix (cuspidela) porque segundo me recordo, de todas as vastas e várias explanações e exercícios especulativos de Marx, nos seus infindáveis manuscritos preparativos do Capital - que implicaram várias horas de British Library a ler as robinsonadas dos economistas ingleses, recordo que Marx era uma pessoa que trabalhava, ao contrário dos deputados comunistas em geral - não me lembro de ter lido em parte alguma desses preciosos papéis, vastamente editados e comentados por autores obscuros mas brilhantes como José Barata Moura, que o aparelho de Estado e as suas extensões ideológicas, mesmo as mais neo-classicamente decantadas pela London School of Economics nos anos 30, como o Estado Social, devessem ser salvas da hecatombe capitalista e homenageados os dois principais pontas de lança ideológicos dessa monstruosidade político-burguesa, os professores (cuspidela) e os médicos (tripla-cuspidela).
 

 
Não duvido do facto de o livro, Quem Paga o Estado Social em Portugal?, apresentado hoje, e coordenado pela incansável, sempre brilhante, mas inocentemente feia Raquel Varela, provar com números e factos que os trabalhadores portugueses contribuem para o Estado social o necessário para pagar a sua saúde, educação, bem-estar e infraestruturas, mas conviria um amigo mais chegado telefonar urgentemente à Raquel Varela sensibilizando-a, e a todos os colaboradores do livro, acerca da verdadeira natureza do problema, a saber, a existência de uma dívida de que não somos todos igualmente responsáveis, é certo, mas cuja existência coloca um problema ao nível dos sistemas de verdade, para citar Foucault, o que resulta num efeito coletivo e republicano, fenómeno tão do agrado das pessoas que gostam do comunismo, e que virtualmente nos torna a todos responsáveis (nós todos, o colectivo, abraçados e indistintos nos nossos sofrimentos), a começar pelos filhos da puta dos deputados - incluindo os do PCP - que auferem remunerações e incentivos para colaborar activamente na super-estrutura decisória da República, e no processo de produção  e acumulação da ideologia burguesa, onde brilha como o mais dourado emblema, ornado a diamantes e safiras, o Estado Social.
 

 
Ora, se os comunistas acreditam realmente nas contradições do sistema capitalista, e não andam aqui simplesmente a tratar da vidinha como todos nós, os pecadores e publicanos, sejam homenzinhos, abandonem a Assembleia da República, peguem em armas e ataquem a super-estrutura política constitucional, começando, por exemplo, por fazer ir pelos ares o Presidente da República e o seu palácio de Belém. É que ao contrário do que pensam os deputados e intelectuais comunistas (tripla-vénia com dupla jenuflexão), os trabalhadores analfabetos, precisamente por não terem sido escolarizados pelas instituições do Estado, não são assim tão estúpidos como parece aos estúpidos e ignorantes membros dos partidos políticos, professores universitários e seus colaboradores, quase integralmente escolarizados por instituições diretamente dependentes do Estado, o que explica o facto dos mesmos trabalhadores perceberem à distância de quarenta petroleiros da Lisnave todos alinhados em fila, que o discurso coletivista é um engodo burguês, e parido por burgueses, tão impotente e estratificante como qualquer outro discurso saído das barrigas cheias e ociosas da vanguarda intelectual do Estado socializante que paga bolsas de estudo a estas pessoas para andarem a provar argumentos políticos que poderiam ser mais consistentemente provados com a nomeação dos próprios trabalhadores como deputados, representantes políticos, e criadores de um discurso ideológico, mesmo se ignorantes e portadores de erros gramaticais congénitos, como o prova a recuperação eleitoral do PCP, depois de ter mandado Carvalhas para a sua casa de campo, substituindo-o pelo anafalbeto mas muito mais eficaz Jerónimo de Sousa. 
 

 
Termino com uma pequena indicação sobre estratégia política leninista: enquanto os senhores deputados do PCP sentarem o cu naquelas cadeiras almofadadas a veludo carmim, enquanto auferirem remunerações e serviços produzidos pelo monstro, enquanto se desdobrarem paradoxalmente na defesa da democracia onde todos os dias cospem, resta-lhes ou elaborar um programa eleitoral decente que persuada os cidadãos das suas razões coletivas, que pode eventualmente passar pela nacionalização do Pingo Doce e do Continente (a mim, é-me indiferente, tenho um figueira e um laranjeira e terra suficiente, entre a garagem e o quintal, para plantar regos de nabos, alfaces, tomate, batatas e feijão) ou simplesmente definhar apresentando-se como a mais clara e deprimente prova da evidente incapacidade das classes baixas e oprimidas produzirem um discurso coerente e minimamente capaz sequer de formular os problemas da injustiça social numa base clara e consistente.

 
 

4 comentários:

alma disse...

alf,
Excelente texto.

AM disse...

a vida imita o futebol
(as ex-repúblicas é que ficaram com os três de ganho...)

AM disse...

(ah sim... que belas prateleiras... as da vanguarda operária...)

AM disse...

(mais melhores que o pernil burgês-decadente da urina)