quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Pode um broche ao Governo constituir um problema técnico-profissional?

Não sei se tenho insistido aqui o suficiente com o filho da puta do Pedro Lomba, uma vez que o Senhor Professor resolveu explicitar hoje mesmo, publicamente, num jornal de referência que afinal o ensino técnico-profissionalizante-mecânico-pragmático é que vai salvar as futuras gerações do desemprego e das ilusões da qualificaçao universitária? Isso mesmo, o caríssimo leitor ainda não está maluquinho, embora pouco falte se continuar a ler este blogue. Segundo o Evangelho de S. Filho da Puta do Pedro Lomba, o problema de Portugal foi ter semeado o solo pátrio, e de uma ponta à outra, com «cursos de brincadeira», deixando cair a consistente, sólida e fundamental aprendizagem de «ofícios»; pasme-se, de ofícios, um conceito que não víamos introduzido no debate público desde que um velhinho desdentado de Alhos Vedros, vindo da Idade Média a empurrar a sua banquinha de sapateiro, telefonou entusiasmado para o programa Opinião Pública da Sic Notícias e disse: «o que é preciso, caralho, é ensinar aos jovens um ofício». É fantasticamente notável que o Pedro Lomba, que é uma só pessoa, apesar de munida com a potência intelectual de 50 cabeças, incorra, num tão curto espaço de folha de jornal, num tão grande novelo de contradições, numa tão grande cambalhota psico-programática, que seriam precisos 100 anos de uma paciente Penélope para nos desenvencilharmos das suas pegajosas palavras.


1. É extraordinário, e inolvidávelmente comovente, que um filho da puta que ensina numa Universidade no âmbito de uma licenciatura em Direito, isto é, que ganha a vida no contexto de uma cultura da perversão, da confusão mental e da mistificação social (veja-se, a título de exemplo, a sua crónica de segunda-feira, sobre a importância dos factos históricos e políticos para a manutenção da liberdade, as duas únicas áreas do saber onde curiosamente, e para a manutenção da liberdade, não pode haver factos) passe uma crónica inteira a elogiar o ensino técnico-profissional, indignado pelas acusações que, movidas a impulsos de sinistra igualdade, se colaram a essa nobre instituição escolar - as escolas de apertar parafusos - quando até a Alemanha (um bastião da igualdade, e da produção de fornos crematórios, digo eu) cultiva com esmero e brilho a qualificação profissionalizante. E que faz o Pedro Lomba para sustentar empiricamente a sua tese? Dá o exemplo de um ensaista, licenciado em Filosofia pela Universidade de Chicago, que abriu uma oficina de reparação de motas, algures na terra da liberdade, no solo da mais vanguardista indústria pornográfica, uma actividade técnico-profissional que espero encarecidamente não seja esquecida pelos ambiciosos planos de revitalização do mercado de trabalho do ex-trotskista-leninista Nuno Crato.


Foda-se, Foda-se, Foda-se. Três vezes Foda-se. Então ó Pedro Lomba, diz-me lá, se és capaz, por que maravihas da imprevisibilidade pedagógica o tal gajo não foi aprender a concertar motas no caralho da escola técnico-profissional lá da terra dele? Eu sei a resposta e vou ajudar-te: é porque dessa forma estaria enfiado numa oficina da periferia de Boston ou numa floresta do Delaware, rodeado de mexicanos, talibans e gasolineiros de piça aguçada e bigode farto, e nos intervalos de umas punhetas nos lavabos da oficina, poderia até talvez encher os bolsos sabujos e oleados das calças com notas de 50 dólares, mas verdade, verdadinha, é que tu jamais em tempo algum chegarias a fazer a mais pequena das ideias acerca das ideias que circulam pelos circuitos neuronais dessa criatura, porque desse modo, a criatura, ó cabrão do caralho, não teria aprendido a exprimir conceitos e a articular ideias, pois apesar do seu gosto de sujar as aposto que imaculadas mãos nas entranhas das máquinas, o facto é que não foi de ir aprender às espectaculares escolas técnico-profissionais os segredos da mecânica aquilo de que o teu edificante exemplo se muniu, mas sim do mais inútil dos inúteis dos inutilizantes dos saberes universitários: o amor da pura e sagradamente etérea sabedoria. Ouviste, labrego do caralho?


2. Nunca será demais contemplar, e com um larguíssimo sorriso nos lábios, o facto de serem sempre universitários parasitas, que mal sabem apertar um parafuso e têm aquelas mãos terminadas em dedos finos incrivelmente imaculados de pelos, os primeiros a conceber sinfonias de aclamação aos trabalhos manuais, ao ensino técnico-profissional, às virtudes dos ofícios, ao enfileiramento das massas para o lugar a que pertencem. Que têm os cursos de merda, que para aí há às toneladas, entre eles o Direito, a ver com a necessidade de profissões técnicas? Porque não pode um Engenheiro profissionalizar-se como canalizador ou electricista? Para que vai o Estado meter-se na segmentação profissional da iniciativa empresarial? Vossa excelência não defende menos Estado?  As empresas que formem os seus técnicos. À República só cabe formar cidadãos: o resto é com a iniciativa privada. E pró caralho, reverendíssimos senhores doutores, em especial tu, Pedro Lomba.

Para um comentário civilizado e inteligente sobre o mesmo tema, e com o qual me deparei somente depois de ter escrito este belo post, carregue educadamente na seguinte expressão: litigância de má-fé

3 comentários:

binary solo disse...

ahaha. muito bom

alma disse...

Não sei quem é o Pedro lomba,para lá dos links que aqui deixa.
Sei que de os três porquinhos que estudaram na católica Pedro Mexia, o Testa pereira coutinho e este Pedro Lomba, este era o mais fraquinho dentro dos fracos que são todos os outros :)))
Se é professor diz bem com vão as nossas universidades :)
mil vezes ir aprender a ser útil com quem sabe :)

Preciso muito mais de um bom electricista :) ou de um bom canalizador que uns meros pseudos
canudos que não sabem nada da vida e que se deprimem fácilmente.

Recomendo :) "The Intellectual Life of the British Working Classes" [Paperback]



salento affitti disse...

Elogio a este belo post!