terça-feira, 4 de setembro de 2012

Para quem ainda não sabe, ficar a saber

Quando um dia rebocarem aquele hino ao verdete intitulado estátua de Fernando Pessoa no Chiado, onde as nórdicas se esfregam gloriosas de ombros nus e sorriso científico, e os brasileiros, sem distinção de sexo ou idade, fotografam a origem dos seus cérebros como se estivessem a posar para uma galeria de aberrações antropológicas, será claro para todo o Ocidente (e excluo o Oriente porque tenho noção dos meus limites) que todo o propósito da minha existência foi por mim erigido como esforço de resposta a um pergunta simples e clara: haverá alguma coisa que impeça um indivíduo de se realizar contra as tendências do ambiente sabendo nós que existe uma continuidade trágica entre a consciência e as coisas que a rodeiam?


As regras da eficácia, pelo menos de acordo com o Jorge Jesus e os taxistas de Massamá, ditam que as pessoas é que sabem o que lhes agrada aos excelentíssimos cornos, e quem sou eu para agora desatar a educar as pessoas, mas lembro que do ponto de vista da eficácia, e sobretudo numa perspectiva de engenheiro - que é aquela que a todos nos governa (para o bem e para o mal), é preciso esclarecer a partir de que teoremas físico-matemáticos deduzimos nós o conceito de eficácia. A fazer fé no ignorante e inútil do Steve Jobs, parece que as pessoas não sabem o que querem até «nós» o mostrármos. Tenho como projeto realizar a baixo custo um hino à minha própria educação, permitindo às massas conhecerem a minha nobre, profunda e incomparável mente, mas sem considerar por um só minuto que seja as ideias das massas, ou a ideia que umas pessoas que estudaram em Inglaterra fazem passar por ideias das massas, uma vez que as massas, na medida em que estão pelo menos tão desorientadas como eu, mais não são do que um conjunto de interrogações armadilhadas, pelo que o mais eficaz é mostrar o que temos, e «uns aos outros», como diria Jesus Cristo (e atenção que é segunda vez que cito Jesus Cristo no espaço de uma semana, mas garanto que está tudo bem). Parece que até o Livro dos Provérbios (29:18) regista que onde não existe uma visão, as pessoas padecem.

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