Este verso pertence a Lucrécio e sintetiza com
particular acuidade - espectacular palavra deduzida de um setubalense a dizer
cuidado - o problema que me tem problematizado os cornos nos últimos meses. Mas
que caralho é o sistema mediático, qual o seu modus vivendi - como perguntaria
logo de jacto um Pimenta Machado - e que consequências psico-sociais terá esta
merda toda da comunicação de massas para todos nós, os que somos, e
permanecemos, pessoas sensíveis? Todos os meus amigos me têm recomendado que
aprenda a enfiar no cu a relatividade do real, ou seja, sabendo que a
comunicação cultural reflecte um dado modelo-padrão (para o qual ainda não foi
inventada a respectiva física de partículas) que não pode ser descrito por um
critério de justiça, mérito, força ou inteligência, resta-nos, ao que parece,
circum-foder-mo-nos todos em espiral nesta grande roda-vida do planeta, essa
bola de lama que pelo espaço vai como a andorinha, nas palavras desse
inesquecível homossexual de Leça da Palmeira, António Nobre.
Como estou particularemente cansado, recorro à
própria raiz e prova do problema, anexando um texto, e recorrendo à impunidade
do on-line (para citar Nuno Markl) em que se dá um significativo contributo
para a resolução do problema do romance português contemporâneo, colocando de
uma só vez as várias perguntas que não podem, nem querem, calar:
Escusam de invocar razões de gosto médio ou mecanismos de mercado, pois não tenho feito aqui outra coisa senão demonstrar cabalmente como a explicação da política editorial e mediática com base na eficiência financeira da empresa é um dos maiores disparates desde a cura do paralítico na piscina de Silhué. Descontando o elogio à minha irrepetível
personalidade - e descontando a shakespereana eficácia do broche mútuo na
apreciação das personalidades, uma vez que as forças do bem precisam de unir-se - esta merda aqui em baixo é ou não é um texto de
inegável gabarito?
a) alguém me pode explicar qual o conjunto de mecanismos
lógico-dedutivos que podem eventualmente impedir-me de injerir dois litros de
cerveja em face da desoladora evidência constituída pelo facto de mediocridades
como Luís Pedro Nunes dirigirem suplementos humorísticos em jornais de
referência, e comentarem referencialmente em programas transmitidos por
estações de televisão em canal aberto, e textos como o que abaixo se anexa,
andarem refundidos em caixas de comentário de blogues?
b) Não teremos aqui um problema típico das
teorias da revolução? Não teremos chegado ao momento em que as caves, os
prostíbulos, os caixotes do lixo abundam de pessoas qualificadas e os pedestais
estão repletos de ceguinhos músicos? Haverá alguma desculpa econométrica para
que não tenhamos um sistema que nos permita aceder a inteligências como a de
José Mário Bronco em substituição de imbecis como valter e peixoto nos nossos
jornais culturais?
c) Alguém terá a tentação de me responder que
para isso é necessário que os bons queiram enfrentar os maus?
d) Mas estará cada um de nós a dar o seu
contributo para esta triste situação?
e) Teremos nós coragem para chamar o membro da
família que oferece um mau livro e aplicar-lhe o mesmo tratamento que
aplicariamos se esse familiar fizesse cócó no meio da sala?
f) Será que isto não tem importância nenhuma?
g) Tal como escreveu Duarte Nunes de Leão, em
1601, não será de pensar que tão indecente é sair da boca de um homem de alto
lugar e nobre criação uma palavra rústica e mal composta como de uma bainha de
ouro e rico esmalte uma espada ferrugenta?
José Mário Bronco, comentador de A causa
foi modificada, a 18 de Julho de 2012 às 21:50
O maradona fez um post com muitas letras e
sem fotos de desportistas nús, o alf deixou aí uma cena bem esgalhada e eu vou
largar um pós-ensaio. Não é isto o sonho de qualquer contribuinte?
A imagem é uma boa imagem e eu não demorei mais de um minuto a apontar com o dedo onde ficam St. Andrews e Carnoustie. Num futuro ensaio publicarei aqui as minhas opiniões sobre o Dr. Passos Coelho, o Dr. Salazar, o Prof. Aníbal António e o General Marechal Almirante Capitão de Fragata-e-Optimist Vasco Gonçalves. Até lá, para não dizerem que vim aqui debalde, deixo-vos umas impressões sobre literatura e pós-modernidade, um tema que calha mesmo a jeito no meio desta canícula.
A literatura, no meu caso, é inversamente proporcional ao ténis. Isto é: de ténis falo muito mas não pego numa raqueta há 14 anos e 234 dias, a data em que perdi num dos campos de terra batida do Clube de Ténis do Estoril com uma gaja a quem andava a tirar as medidas, tendo que passar pela humilhação de ouvir da parte dela um “desculpas...”, depois de no fim do jogo lhe ter dito que a prática do golfe me prejudicava a competência no ténis. Já de literatura, não falo muito mas sei bastante. E é chegado o momento de não ser egoísta e partilhar com os restantes causídicos o que sei. Nesta época, os jornais que não têm nada para dizer, fazem umas secções que eu analiso sempre com muito interesse, chamadas Livros para Férias ou uma merda assim. O que não é de admirar: dadas as capacidades de expressão oral, escrita e de raciocínio da maioria dos jornalistas, está na cara e no cú que eles lêem a Danielle Steel e apenas nas férias.
Vamos ao assunto que tem sido imensamente debatido nos jornais e nos fóruns da TSF: a pós-modernidade literária. Tendo eu passado com olímpica indiferença ao lado da obra do Gianni Vattimo, aquela que todos os wannabes intelectuais balbuciam sempre que querem debitar larachas sobre pós-modernidade, nem isso me impede de ter ideias definitivas acerca da problemática. E atendendo a que a pós-modernidade literária é o tema do momento até nas capas da Bola, uma vez que este ano o Benfica não está a cumprir o seu papel de animador do mercado, mostrando-se interessado em todo e qualquer cromo que dê um pontapé numa bola, de modo a valorizá-lo para que ele até pareça jogador de futebol, vou também dar o meu contributo acerca do assunto porque isso me vai permitir praticar um dos desportos nos quais eu sou brilhante, que é dar pancada em escritores semi-analfabetos de tendência pós-moderna, categoria em Portugal muito bem representada pelo Peixoto e pelo Valter Filho da Mãe.
Os escritores pós-modernos já não têm que saber escrever. Isto não é uma MAB (metáfora à Bronco). É mesmo verdade, verdadinha. Na modernidade escreviam-se maus livros mas os escritores sabiam escrevê-los. Agora os escritores já nem têm que saber escrever. Basta ouvir o Peixoto a falar – qualquer coisa entre o electricista e o ciclista – para perceber que o gajo deve dar uma trabalheira ao desgraçado do revisor dos seus textos, para deixar aquela treta em forma de texto legível. Mas a diferença entre modernidade e pós-modernidade nem se resume apenas à escrita das letrinhas, facto recentemente confirmado pelo próprio Filho da Mãe que disse, não sei onde, que agora já usa maiúsculas. Vejam bem, no caso do Filho da Mãe, a pós-modernidade manifesta-se não só no desconhecimento da capacidade de escrever, como no desconhecimento até do modo como funciona um teclado de computador. Deve ter sido o Peixoto que lhe disse que se ele carregasse na tecla shift em simultâneo com as letras, elas depois apareciam em maiúscula no ecrã. Um dia o Peixoto ainda vai dizer isto à fERNANDA cÂNCIO. Esta malta da esquerda são todos amigos uns dos outros e tratam-se todos por tu e isso também deve servir para se ajudarem uns aos outros.
Portanto, a pós-modernidade é uma espécie de categoria que serve apenas para referir gajos que têm a mania que sabem escrever, categoria essa onde não estão apenas estes modernaços de t-shirt preta. Está lá também o Saramago, a Inês Pedrosa, 99% dos jornalistas escritores e todos os que querem ser Lobo Antunes, incluindo o próprio Lobo Antunes. É justo dizer que destes todos só li Saramago – não gostei – mas isso não altera em nada a verdade daquilo que afirmo.
A imagem é uma boa imagem e eu não demorei mais de um minuto a apontar com o dedo onde ficam St. Andrews e Carnoustie. Num futuro ensaio publicarei aqui as minhas opiniões sobre o Dr. Passos Coelho, o Dr. Salazar, o Prof. Aníbal António e o General Marechal Almirante Capitão de Fragata-e-Optimist Vasco Gonçalves. Até lá, para não dizerem que vim aqui debalde, deixo-vos umas impressões sobre literatura e pós-modernidade, um tema que calha mesmo a jeito no meio desta canícula.
A literatura, no meu caso, é inversamente proporcional ao ténis. Isto é: de ténis falo muito mas não pego numa raqueta há 14 anos e 234 dias, a data em que perdi num dos campos de terra batida do Clube de Ténis do Estoril com uma gaja a quem andava a tirar as medidas, tendo que passar pela humilhação de ouvir da parte dela um “desculpas...”, depois de no fim do jogo lhe ter dito que a prática do golfe me prejudicava a competência no ténis. Já de literatura, não falo muito mas sei bastante. E é chegado o momento de não ser egoísta e partilhar com os restantes causídicos o que sei. Nesta época, os jornais que não têm nada para dizer, fazem umas secções que eu analiso sempre com muito interesse, chamadas Livros para Férias ou uma merda assim. O que não é de admirar: dadas as capacidades de expressão oral, escrita e de raciocínio da maioria dos jornalistas, está na cara e no cú que eles lêem a Danielle Steel e apenas nas férias.
Vamos ao assunto que tem sido imensamente debatido nos jornais e nos fóruns da TSF: a pós-modernidade literária. Tendo eu passado com olímpica indiferença ao lado da obra do Gianni Vattimo, aquela que todos os wannabes intelectuais balbuciam sempre que querem debitar larachas sobre pós-modernidade, nem isso me impede de ter ideias definitivas acerca da problemática. E atendendo a que a pós-modernidade literária é o tema do momento até nas capas da Bola, uma vez que este ano o Benfica não está a cumprir o seu papel de animador do mercado, mostrando-se interessado em todo e qualquer cromo que dê um pontapé numa bola, de modo a valorizá-lo para que ele até pareça jogador de futebol, vou também dar o meu contributo acerca do assunto porque isso me vai permitir praticar um dos desportos nos quais eu sou brilhante, que é dar pancada em escritores semi-analfabetos de tendência pós-moderna, categoria em Portugal muito bem representada pelo Peixoto e pelo Valter Filho da Mãe.
Os escritores pós-modernos já não têm que saber escrever. Isto não é uma MAB (metáfora à Bronco). É mesmo verdade, verdadinha. Na modernidade escreviam-se maus livros mas os escritores sabiam escrevê-los. Agora os escritores já nem têm que saber escrever. Basta ouvir o Peixoto a falar – qualquer coisa entre o electricista e o ciclista – para perceber que o gajo deve dar uma trabalheira ao desgraçado do revisor dos seus textos, para deixar aquela treta em forma de texto legível. Mas a diferença entre modernidade e pós-modernidade nem se resume apenas à escrita das letrinhas, facto recentemente confirmado pelo próprio Filho da Mãe que disse, não sei onde, que agora já usa maiúsculas. Vejam bem, no caso do Filho da Mãe, a pós-modernidade manifesta-se não só no desconhecimento da capacidade de escrever, como no desconhecimento até do modo como funciona um teclado de computador. Deve ter sido o Peixoto que lhe disse que se ele carregasse na tecla shift em simultâneo com as letras, elas depois apareciam em maiúscula no ecrã. Um dia o Peixoto ainda vai dizer isto à fERNANDA cÂNCIO. Esta malta da esquerda são todos amigos uns dos outros e tratam-se todos por tu e isso também deve servir para se ajudarem uns aos outros.
Portanto, a pós-modernidade é uma espécie de categoria que serve apenas para referir gajos que têm a mania que sabem escrever, categoria essa onde não estão apenas estes modernaços de t-shirt preta. Está lá também o Saramago, a Inês Pedrosa, 99% dos jornalistas escritores e todos os que querem ser Lobo Antunes, incluindo o próprio Lobo Antunes. É justo dizer que destes todos só li Saramago – não gostei – mas isso não altera em nada a verdade daquilo que afirmo.
5 comentários:
Alf,
O JMB é uma preciosidade :)
Não te irrites e fica calmo :)
Como sou uma alma gentil :)confesso com humildade que ao descobrir a tua prosa pensei
que podias ser um heterónimo do camaleão JMB :)))
Non enim excursus hic eius, sed opus ipsum est
Desiludam-se as bonecas que frequentam este blog se acham que eu vim aqui largar uma mija só porque o alf me fez um, vá lá, digamos, elogio. Se o alf dissesse que eu tinha escrito uma posta de merda eu viria aqui na mesma. Ou não viria, nem sei bem, mas isso pouco importa. Nunca pendurei os discos de ouro na parede e, praticante convicto dos sound bites do Churchill, digo sempre que não sou modesto porque não tenho razões para isso. Abro um parêntesis para esclarecer que, a uma gaja que me tenha chamado bêbado, nunca chamei feia... Mas, quem sabe, um dia?
Embora saiba que o alf, gajo inteligente, tem resposta para as perguntas que fez, aproveito para fazer um micro ensaio sobre a incompetência generalizada dos opinadores profissionais. Basicamente o que está aqui em causa é a intricada questão sócio-culinário-antropológica de saber como são escolhidos os gajos que opinam, nos jornais, na rádio, nas TVs e em todo o lado em que haja malta a comentar ou a “produzir conteúdos”, como eles dizem. A reposta é simples: são sempre os mesmos e foram escolhidos porque aparecem. Pouco importa que não saibam nada daquilo que dizem. Começam por aparecer aqui e ali e isso dá-lhes carta de alforria para debitarem sobre tudo o que lhes metam à frente. O Daniel Oliveira escreve sobre futebol porque aparece e não porque saiba alguma coisa de futebol. O Adão e Silva fala sobre música porque aparece e não porque tenha alguma coisa interessante a dizer sobre música (aposto quinhentos mérreis como este lorpa não distingue uma escala maior de uma menor). Vejam o Alfaiate Lisboeta que, a partir de um blog onde tinha algumas fotos com piada e nada mais, já aparece a vender telemóveis e a debitar sobre design de interiores. Depois de um gajo aparecer na TV a dizer duas ou três generalidades e escrever uma croniqueta num jornal, começam a chover os convites para opinar sobre este mundo, o outro e o bosão de Higgs, se sobrar tempo. Não precisam de mostrar qualidade, sabedoria, inteligência, conhecimento, perspicácia. Aparecem e isso basta. Claro que primeiro é preciso entrar no sistema, como diria Dias da Cunha, e essa é a parte mais difícil: começar a aparecer. Mas não desistam, caros leitores, há muitas maneiras de lá chegar: cunha, partidos, conhecimentos, maçonaria e opus dei, lobby gay, estatuto de artista alternativo, filho de gajo já com nome na praça, enfim, quase tudo serve, desde que primeiro se disponham a fazer tudo o que vos mandam o que, no caso das Produções Fictícias, inclui transportar a mala com o computador do Nuno Artur Silva. Se querem perceber na prática o que digo, tentem fazer o seguinte: escrever ou fazer humor em Portugal sem o selo das Produções Fictícias. Experimentem... vão ver que será mais fácil conseguirem um jantar a sós com o Papa ou jogar uma partida de golfe com o Obama, tal é a teia que os gajos montaram que não permite que ninguém de fora entre no negócio, porque é de um negócio que se trata.
Quantos gajos falam de futebol na TV? Quantos sabem o que dizem? Só me estou a lembrar do Carlos Daniel e do Bruno Prata (e este só às vezes). Em Portugal, na década de 80 tivemos essa sintonia cósmica que se consubstanciou (acho que é a primeira vez que escrevo esta palavra num blog) no facto de termos o MEC a escrever no Expresso: o melhor a poder ser lido por muitos. Depois disso, lá tem havido umas excepções – que apenas confirmam o estruturalismo do careca – mas a regra é serem os mais banais a terem espaço semanal para a croniqueta ou o convite recorrente para sessões de tudologia na TV.
Solução para isto? Não os leiam, não os ouçam, não lhes liguem. Pode ser extremamente perigoso. Ouvir o Markl falar de música, o não-sei-quê Tendinha a falar de cinema ou ler o que a Judite de Sousa escreve sobre futebol no Record, causa danos irreversíveis na saúde mental de qualquer ser humano. Depois digam que não vos avisei.
Quanto ao resto, tudo bem. Eu nem gosto muito de praia.
*“Isto não é uma digressão, mas sim a própria obra”
Lindo
nos 80's, no expresso, sobre arquitectura, escrevia o Paulo Varela Gomes, agora, sobre "arquitectura", no Público - que no expresso não sei mas desconfio que pouco ou nada - escreve uma tal de xana... prado coelho...
não lhes ligar?
e no en(tre)tanto elas existem...
José Mário Bronco, que escritores portugueses aprecia? E estrangeiros?
Já tentou fazer humor em Portugal sem o selo das PF? E os GANA(Guionistas e Argumentistas Não-alinhados)?
Gosta de algum humorista português?
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