sexta-feira, 1 de junho de 2012

Se forem a Madrid nunca comam sandes de tortilha


 
Às vezes pergunto-me sobre quais as razões que justificarão a minha auto-confiança tendo em contas as péssimas condições iniciais. O facto de nada ter publicado ainda, ou o singelo evento que consiste em não ter amigos, pais, irmãos, periquitos premiados pelas várias disciplinas olímpicas actualmente praticadas nas inúmeras piscinas da cultura, apenas aprofunda uma persistente modelação do meu poder criativo, que vai da academia até ao comentário  exegético de manuscritos inéditos. Este anonimato reforça a imparcialidade sobre a própria dor (quinta essência do literatura) e ergue com visível maestria e realismo toda uma série de moinhos de vento que rodam as suas pás ameaçadoras no ondulante e infernal horizonte desta lateralmente exaurida Castilha-la-mancha chamada Portugal. Mas estou com pensamentos universalistas e recupero toda a energia necessária para prosseguir o meu difícil trabalho, acabando com todas as minhas incertezas no domínio artístico, ao constatar que sou o único ser vivo, pelo menos com potencialidades de replicação genética intactas, capaz de se lembrar (enquanto vomita três vezes uma tortilha numa casa de banho de Madrid) que Herbert Simon é talvez aquilo que mais se aproxima de Kant neste pobremente filosófico século XX. Nisto, torna-se ainda mais evidente qual a especificidade que faz a minha potencialidade como escritor, que neste blog (entre as leituras, essas sim, essenciais, e as várias frustrações desportivas) emerge apenas como epifenómeno: nada mais, nada menos do que o conhecimento rigoroso e assombradamente consistente das limitações da minha racionalidade. Neste sentido, é muito importante olhar para a infância e ver apenas muros muito altos. A vingança, e não a justiça, é o verdadeiro coração da revolução. A raiva, e não a sensibilidade, é o verdadeiro motor do génio artístico. Acho que já o repeti aqui demasiadas vezes. As coisas que nós fazemos para nos convencermos de que temos razão.

1 comentário:

alma disse...

Já comi sanduiches de tortilha :) e não morri :)
a fraternidade é que faz as revoluções :) e a vingança dizem serve-se fria...
alf, sê bom rapaz e ama o próximo como a ti mesmo :) tenho a certeza que serás mais feliz e o sucesso se assim o desejas virá naturalmente :)
podes-me mandar bugiar que eu não irei :)))
um bom fim de semana