segunda-feira, 28 de maio de 2012

O liberalismo é isto mesmo


Como é evidente, estou a ler. Mas conto-vos uma coisa. Há dias cruzei-me com uma antiga colega de faculdade, durante a travessia de uma passadeira, ao longo de uma avenida semi-movimentada, um evento normalíssimo, uma coisa sem nenhuma importância, uma casualidade nem sequer dotada das características dos acontecimentos de baixa previsibilidade. Acontece que a pessoa em causa fingiu que não me viu. «Mas que merda é esta?» pensei de imediato, na medida em que é possível dizer que se pensa qualquer coisa consistente e inserida no tempo. O primeiro impulso foi o da incredulidade, o segundo o da negação, o que me levou a relampejar com os meus olhos lama-verde-água o evento noticioso que faiscava no painel electrónico. Porém, não tendo obtido salvação, não me restou se não conjecturar duas hipóteses: ou está cada vez mais maluca (a pessoa em causa é ligeiramente perturbada, no sentido em que é uma daquelas personalidades que na falta de verdadeira disciplina de trabalho, originalidade, cultura, ideias sobre os fenómenos da vida e da morte, acaba por se dedicar à fotografia) ou sendo uma pessoa de cultura (neste momento, alf, contorcido em espasmos de fúria, dobra sobre si mesmo a poderosa cabeça e medita nas dores do mundo) resolveu manifestar o seu desprezo por um antigo e banal colega. Nada disto é relevante até ao momento em que me deparo com esta referência acoplada às notícias psico-pessoais da dita personalidade nas inacreditavelmente eficazes redes sociais. Que me dizem a isto? As leis do bom gosto são de tal sorte proporcionais aos parâmetros que regem as leis orbitais dos corpos que tudo está bem quando os espíritos se encontram, como tudo está igualmente bem quando os espíritos se não encontram, sobretudo porque todos sabemos que não existem espíritos, mas apenas efeitos químicos modificados.

1 comentário:

alma disse...

alf,

das duas uma :)
ou
a rapariga tem medo de si (o que é natural):)
ou
não gosta de homens com olhares lama-verde-água(gostos não se discutem).