O Pingo Doce é das instituições portuguesas aquela que tem as empregadas desqualificadas mais bonitas e atraentes (as do Continente pintam-se muito), e julgo que este ataque suez (onde o Partido Comunista mostrou porque razão se vai extinguir dentro de 24 meses, apesar da maior crise económica dos últimos 100 anos) é apenas um sintoma da estupidez colectiva (desde a invenção do sistema de preços pelos iluministas do século XVIII, andamos destreinados na invenção de soluções colectivas) e não um sinal de qualquer decadência, ao contrário do que pensa Miguel Real, o filósofo mais parecido com Diamantino, o camisola 10 do Benfica, desde, pelo menos, Jean-Jacques Rosseau. No entanto, permito-me a mim mesmo discordar com quase toda a gente em relação à importância do assunto uma vez que até o cabrão do Marques Mendes está convencido de que o assunto é irrelevante. De um ponto de vista económico, como bem viu o ngonçalves, claro que este assunto não vale a mama esquerda da Júlia Pinheiro.Mas do ponto de vista político-filosófico, é a mais cabal representação da espectacular falência do raciocínio socialista e um poderoso indicador de que os portugueses, apesar de todo o alarido sentimental em torno do neo-liberalismo, são profundamente desconhecedores das regras da selvajaria de mercado, a começar pelos analfabetos dirigentes do Pingo Doce que decidiram esta mega -celebração auto-humlhante de uma instituição que todos nos habituámos a frequentar.
Se os pobres não conseguem furtar-se a uma fila de supermercado e mergulham sorrindo com toda a boca desdentada na mais banal, primária e absurda campanha de marketing promocional de que há memória neste país tão escasso de campanhas de marketing promocional, baixando as hediondas cuecas a uma exploração infame às mãos do capital distribuidor, de que maneira, pergunto eu, vão os pobres e oprimidos conduzir-se a si próprios, enquanto massas libertadas de si próprias, em direcção a uma sociedade mais justa, mais livre e mais fraterna? Claro que para isso é necessário o trabalho esclarecedor dos intelectuais científicos e dos dirigentes fraternos que militam em prol dos mais fracos e oprimidos pelas intermináveis filas de espera do Pingo Doce.
Reformulo então. Se os dirigentes do Bloco de Esquerda não conseguem conduzir à libertação uma pessoa que é continuamente enrabada pelas oportunidades promocionais do Pingo Doce, e se vê conduzida a um consumo 3 ou 4 vezes maior do que seria se fosse o Jerónimo de Sousa a dirigir a rede de supermercados Pingo Doce, como pensam convencer essa pessoa a marchar contra os canhões dos ignóbeis capitalistas que continuamente os prostituem, e enviam os seus saudáveis filhos para as correntes da pobreza e da miséria?
Há aqui um problema de antropologia sistemática que eu explicaria de bom grado se Claude Lévi-Strauss não o tivesse já feito naquele que é talvez o maior livro científico do século XX, depois dos textos de Von Neumann, embora ninguém tenha reparado nisso, mesmo que todas as sardinheiras andem sempre com o estruturalismo na ponta da língua.
No fundo, e à semelhança de quase tudo o que nos acontece na vida, o difícil é permanecer calado, e reconhecer que não fazemos a mínima idéia de qual seja o significado profundo do referido acontecimento histórico-político. É isso, Tristes Trópicos: o reconhecimento da infinita beleza de nos estarmos a afundar num local de que nem sequer a certeza de que seja bonito temos.
No fundo, e à semelhança de quase tudo o que nos acontece na vida, o difícil é permanecer calado, e reconhecer que não fazemos a mínima idéia de qual seja o significado profundo do referido acontecimento histórico-político. É isso, Tristes Trópicos: o reconhecimento da infinita beleza de nos estarmos a afundar num local de que nem sequer a certeza de que seja bonito temos.

1 comentário:
Boa análise :)
mais não digo :)
gosto de desafios :))))vou tentar ficar calada :)
um bom fim de semana para o alf e o NG!!
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