
A proficiente gestão deste blog fez-me chegar um triste comentário ao meu generoso comentário a uma igualmente triste crónica da autoria do maricas do José Luís Peixoto (vinde a mim, vós todos que procurais o escritor do Concelho de Ponte de Sor, entre as fibrosas redes do mundo virtual). Fico sempre repetidamente surpreendido com a falta de cultura das pessoas, sobretudo sabendo que os meus pais, entre 1990 e 2000, isto é, no decorrer do período crítico e formativo da minha espectacular maquinaria cognitiva, auferiam, agregadamente falando, um rendimento mensal que não ultrapassava os 250.000$00, 250 contos, isto em moeda antiga, mas que pode ser nova outra vez. Como supria eu nessa época, as minhas necessidades de entendimento, perguntam os espíritos mais ousados que ainda se mantêm agarrados a este ecrã? Naturalmente, nas bibliotecas públicas, instituições sempre mal frequentadas, mas apesar de tudo, dotadas de instrumentos mínimos que poderiam ter possibilitado às pessoas não fazerem a figura ridícula que abundantemente fazem na blogosfera e nos respectivos locais de trabalho, respondo eu, embora sem grande confiança. Na verdade, há dois problemas, graves e profundos, implícitos nesta questão da inteligência crítica: a) as pessoas são estúpidas porque o sistema de transmissão de conteúdos fuciona mal, ou na pergunta esfíngica de Protágoras, será que a virtude se ensina? ou b) as pessoas aprendem e transmitem todos os instrumentos cognitvios mas utilizam esse conhecimento segundo critérios particulares, sempre hipoteticamente orientados por desejos irracionais, ou viciosos, ou particulares, conforme os credos antropológicos, ou conforme as intenções estratégicas, como diriam os economistas.
Na verdade, nem uma coisa, nem outra. Por exemplo, a minha simpática comentadora, além de me ameaçar com o arremesso de uma lista telefónica à gloriosa fronte, qualifica a minha intencionalidade como produzida por uma arrepiante frustração, mas o nível de violência com que reaje é a prova consistente de que atingiu a irrelevância intelectual do seu escritor amado - o que a magoa - e como retaliação, arremete contra mim, a fim de salvar toda a genealogia que forjou a sua interpretação do mundo. Ora, isto constitui um eloquente exemplo da forma como o conhecimento se forma numa complexa teia de relações entre os nossos desejos e os nosso intrumentos cognitivos. Creio que toda a historiografia do saber podia ser reorientada a partir dos discursos que pretendem estudar a forma como estudamos os discursos, ou seja, tal como em relação ao tempo, é quando não pensamos nos objectivos do conhecimento, que mais claro se torna para nós que o sistema nervoso central se complexificou para regular a articulação entre estímulos externos e o funcionamento interno do nosso organismo. Uma pessoa pode compreender que o José Luís Peixoto é uma merda, ou que o treinador do Benfica exorbita as suas competências querendo triplicar as capacidades psico-motoras de Axel Witsel, o internacional belga, fazendo-o correr sem a mínima economia de esforço colectivo, mas isso deve ser ponderado em relação aos objectivos que essa mesma pessoa pretende extrair do acto de conhecer.
Isto significa que nós não sabemos nada de nada, nem sequer se o conhecimento crítico é realmente uma coisa importante. Só sabemos fazer coisas que operam ou desempenham acçoes no meio, mas o significado da realidade é, em termos matemáticos, uma função da nossa taxa de esforço para sobreviver, e como ninguém sabe porque razão existe vida, não estamos em condições de responder ao sentido do conhecimento que essa vida produz. A carteira do José Luís Peixoto dirá que isso do conhecimento crítico não é determinante, e a sua consciência, na segunda-feira, e após ter vestido aquela camisa negra, é até capaz de concordar, embora na quinta, e já envergando um blazer caqui, é bem capaz, por outro lado, de lançar dúvidas sobre a pertinência da liberdade comercial e o não taxamento do preço de produtos considerados nocivos à inteligência crítica. Por exemplo, o José António Saraiva, julga, e passo a citar, «ser um facto notório que a comunidade gay está a crescer». Eu julgo ser um fato notório que o José António Saraiva é uma das figuras públicas mais estúpidas e ignorantes de toda a história mundial. Mas isso é a minha opinião, e eu ando aqui apenas a ver se não levo com uma lista telefónica pelos cornos abaixo.
Com extraordinário efeito, aquilo a que chamamos crítica, é sempre uma dada forma de hierarquizar a realidade, uma disposição de valores que tem uma adaptação funcional em relação ao nosso corpo, e aos objectivos que pretendemos concretizar. Mas como esses objectivos são condicionados por outros corpos, igualmente em movimento, e dotados de objectivos próprios, isto significa que para compreender a multiplicação de efeitos causais implícitos em qualquer processo cognitivo, necessitariamos de uma física especialmente complexa, como Einstein não se cansou de afirmar. A produção de conceitos tem uma economia distributiva de que nada sabemos. Manipulamos os discursos e a formalização matemática, ou somos manipulados por esses intrumentos? E que parte deste fenómeno é condicionado pelas nossas decisões, e que parte emerge precisamente da relação entre necessidades individuais e os fenómenos de organização colectiva, que são no fundo o resultado de necessidades conceptuais para neurtralizar o potencial de perigo que há em todo o ambiente «não-crítico»? Será que aqueles que colocam José Luís Peixoto à cabeceira da cama, estão melhor preparados para enfrentar o mundo onde emerge a decadência, e flui a propaganda gay? Quero tranquilizar os meus leitores, invocando os meus vastos conhecimentos de história mundial: o mundo não vai acabar, e mesmo que acabe, graças a deus, não há problema - o que tem de ser, tem de ser, e além disso, caramba, como diria Artur Jorge, fizemos coisas bonitas.
Tenho pena de não poder oferecer ao meu estimado público respostas espirituais ou religiosamente profundas, religando as suas angústias ao sentido do cosmos, mas Cristiano Ronaldo está quase a evoluir sobre o relvado, e apetece-me fazer um pouco de propaganda homossexual, contemplando a sua escultural compleição física. Longa vida a Píndaro, aos atletas, e aos gregos em geral.
6 comentários:
Ainda me encontrava a meio deste post e antes de o ter terminado, tive de comentar. Aspiro, com todas as forças que interagem com a minha mente e o meu ser corpóreo - chego há conclusão que os termos cartesianos não ficaram muito assentes durante as aulas em que estes eram empregues - escrever de modo tão incrivelmente brilhante!Digo isto com toda a humildade que a minha dislexia e falta de léxico me permitem. No ceio de um departamento académico e de pessoas que claramente não sabem reconhecer a diferença entre uma sublime mente reflectida na escrita e um nome sonante que consta nas listas de best-sellers da Bulhosa, é difícil encontrar autores/bloguistas portugueses que não necessitem de floriados para iludir um leitor ignorante, através do seu vocabulário caro, para aquilo que é evidente...textos sem qualquer conteúdo.
Por isso, fico feliz por poder escrever que quando for mais crescida, aspiro ser como o Alf.
Caro Alf
Tal como as mulheres nórdicas nos parecem universalmente mais atraentes - viva o oposto genético - poderia, fiel a este principio natural que ainda vai sustentando o mundo, embora não a Materninade Alfredo da Costa, ter um gosto mais expansivo, mais germanico-expansivo!! Ou vai guardar aq apreciação às delicias (sim, é uma referência àquela música brasileira claramente superior a B. Fachada) germânicas para quando estiverem a festejar golosco ntar Portugal no Euro 2012?
Estimado alf,
A virtude pode-se propagar por contaminação:)
quanto ao Peixoto não sei quem é:) e pelos vistos não perco grande coisa :)
muito obrigada :)
a F., tem razão :) deve ser muito bom pensar e escrever assim ...:)))
sobre "aquilo a que chamamos crítica":
Criticism occupies the no-man's land between enthusiasm and doubt (...)
Alan Colquhoun
(alf, não abuse dos rococós) :)
És uma besta. O Peixoto mete-te de imediato num bolso.
.|.
Não percebo se neste comentário existe homofobia, ou não. Poderia esclarecer-me?
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