terça-feira, 20 de março de 2012

A vertigem da listas, foda-se

Uma pessoa vê-se obrigada a lutar contra a realidade de punhos ensanguentados, olhos fulmíneos (uma das minhas palavras preferidas das mais preferidas palavras de Italo Calvino) e sonhos injectados de púrpura, quando, por sua vez, a aristocracia está altamente organizada e às dezenas, como pode constatar-se pelo espectacularmente espectacular blogue Senatus, uma tal agremiação de cérebros por metro quadrado que já não se via em território nacional desde as cortes de Lamego, aquelas onde forjaram um merda qualquer que afinal não era a verdade, mas que foi suficientemente verídica, ao tempo, para resolver um qualquer problema grave, na época, bem entendido. Esta porcaria de blogue é mais um daqueles sítios onde se prolonga a esterilidade da discussão política portuguesa, pois é próprio de qualquer discussão política que nada se diga fora dos termos da comunicação normalizada, o que me faz gostar tanto de palavrões, caralho. Deixo uma lista das pessoas a quem não devemos dar ouvidos, para que não falte nada aos estimáveis leitores que acompanham as minhas obras completas na blogosfera (enquanto não saiem as outras) sendo certo que os últimos indicadores macro-económicos nada revelam sobre o país, e que o verdadeiro indicador do desenvolvimento, bem mais consistente e fiável, seria se de uma vez por todas, surgissem nas livrarias portuguesas, impressos em língua portuguesa, da autoria de cérebros portugueses, livros como o que se apresenta na figura que encabeça este post.

Anexo 2
Senadores, isto é, pessoas a quem não devemos dar ouvidos: Ana Rita Bessa André Matos Faria António Andrade de Matos Diogo Duarte Campos Diogo Santos Nunes Filipa Correia Pinto Filipe Matias Santos Francisco Beirão Belo Gonçalo Delicado Helena Costa Cabral Hilario Caixeiro da Cunha Inês Pinto da Costa José Bourbon Ribeiro José Meireles Graça José Miguel Pereira João Lamy da Fontoura João Monge de Gouveia Mafalda Sobral Marcos Teotónio Pereira Margarida Bentes Penedo Nuno Cunha Rolo Nuno Santos Silva Rosário Coimbra Ruben Eiras Sophia Caetano Martin Tiago Pestana de Vasconcelos
Faço notar os sonantes apelidos das varonis famílias, sempre prontas a dar o seu contributo para engrandecimento do espaço público e esclarecimento das suas próprias vidas. É pena que esse contributo seja uma boa merda.

2 comentários:

AM disse...

boa leitura
(não sou, penso não ser, uma pessoa muito mal formada mas sinto uma pontade - forte - de inveja por esta sua leitura)
um resumo ligeiro e acessível a leigos está fora de questão?
eu gosto de tudo o que é "romanos" e sempre que possível visito todas as suas, deles, ruínas
um dia, já não sei bem onde nem a quem (acho que foi a um Plínio qualquer...), li sobre o comércio (de especiarias) dos romanos com a índia (ah, já sei, deve ter sido no A Little History of the World do Gombrich)
agora é que temos a mania que somos "globais"
enfim
excelente leitura

Diogo Santos Nunes disse...

Li e gostei.

Porque se aquilo que pretende é um aumento de visualizações para o vosso blogue com certeza que vão conseguir. Basta fazer referência a um blogue com grande procura – fórmula simples e infalível.

A alegada esterilidade da discussão política que se verifica no nosso blogue deve ser evitada. A fértil discussão política resulta do confronto de ideias.

Por conseguinte, gostaria de o ver a escrever no nosso blogue. O convite que lhe faço é a título individual, pelo que falarei com os meus colegas.

Contudo desconheço o seu apelido.