sexta-feira, 9 de março de 2012

Nova teoria da reprodução das relações de produção

Como levaria muito tempo a justificar porque razão não tenho o mais pequeno interesse no conflito israelo-palestiniano, e além disso, a maioria dos leitores não está familiarizado com a terminologia da advanced macroeconomics, fico-me por uma singela pergunta e respectiva especulação argumentativa ou tentativa de resposta.
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A julgar pelos estilhaços publicados pela autora, Alexandra Jacinto do Eduardo Prado Lucas Coelho, ao longo destes últimos anos no jornal Público, quanto vai uma aposta que este livro é uma grandessíssima merda?
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Na verdade, vai por aí uma gigantesca feira de argumentos estéticos, roubados por hábeis ciganos de camisa preta, em frias madrugadas violeta, às mais contrafeitas e avulsas teorias do romance, e depois transportados à pressa em carrinhas brancas igualmente furtadas, argumentos saltitantes entre calças de sarja, camisas de flanela xadrez e sandálias douradas; de modo que a discussão literária chega ao comércio legítimo interpretada por conceitos já tão manuseados por tudo quanto é ganso patudo mediático, que o pobre espectador da vida portuguesa é obrigado a franzir o sobrolho e a tamborilar os dedos, ao descobrir que se encontra capturado no interior de um romance de José Rodrigues dos Santos. Ainda há bem pouco tempo, a parva da Hélia Correia, que afirma ter um problema com a luz do sol - mas insiste em permanecer num país onde há 9 a 10 meses, em cada ano, de uma sistemática e possante luz branca-incandescente - justificava a merda de livros que insiste em publicar com o facto de apenas escrever quando chove. Já Miguel Sousa Tavares, enquanto procurava não ser tocado pelo incrivelmente larilas Daniel Oliveira, invocava uma especial relação de cumplicidade com um casaco de malha, artefacto que, segundo afirmou, «o inspira». E agora, sem apelo nem agravo, um romance de Alexadra Jacinto do Eduardo Prado Lucas Coelho, versando o amor proibido entre um belga e uma catalã, perpetrado em plena faixa de Gaza, e protagonizado por pessoas que não só não nutrem qualquer instinto assassino como ainda fazem o favor de manter as duas pernas, os dois barços e os dez dedos das mãos. Mas que interesse pode ter isto? A autora defende-se, dizendo que hesitou em publicar o romance e que ainda não descobriu de todo a sua forma de romance, e assim, o pobre espectador da vida portuguesa fica sem entender porque razão foi dado a lume (bela expressão) pela Alexandra Jacinto do Eduardo Prado Lucas Coelho, esta preciosa obra que hesitou em publicar: foda-se, mas o que é esta merda? Uma conspiração contra o bom senso? Uma tentativa de me encurtar a existência? Um ataque aos mais sagrados princípios da liberdade de expressão? Terrorismo intelectual?
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A autora de «e roda a noite» confessa hoje em entrevista ao suplemento psiquiátrico do Público que pretendeu trabalhar sobre a construção da realidade e diz que Ana Blau é ela mas não é ela, uma vez que «e roda a noite» é uma «manta de bilros» - isto digo eu, citando São José Almeida - em que concorrem aspectos autobiográficos e os sempiternos impulsos imaginativos da ficção, em que, alegadamente, o romance, com a sua puta capacidade de abrir as pernas a todos os factos da vida, desempenha um papel de primeiro plano e se vê obrigado a entretecer (sic) todos estes estilhaços da vida de Alexandra Jacinto do Eduardo Prado Lucas Coelho, onde avultam coisas tão decisivas como a falta de sensibilidade autêntica, a ausência de reflexão sólida e leitura extensa - o tempo, como bem sabem os economistas neoclássicos é o recurso mais escasso - uma escabrosa ascensão determinada por cunha familiar, uma total incapacidade de desenvolver um sentido crítico sobre a própria história do romance, uma completa esterilidade metafórica, etc, etc, etc, etc, etc, e mais bilros.
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Como diz Fernando António Nogueira Pessoa, quando alguém escreve um poema, convém que se note que existiu Homero. No caso de Alexandra Jacinto do Eduardo Prado Lucas Colheo, apenas se nota que existiu muita coisa para fazer mas nenhuma dessas coisas teve a mais pequena relação com a leitura, o pensamento e a escrita. E isto, caros leitores (cumprimentos à desaparecida Alma) é uma coisa que me entristece. Juro, desde a ponta dos pés até às minhas serpenteantes pupilas, e por todo este nosso imenso Portugal onde a aristocracia continua a reinar, que isto me entristece profundamente. Profundamente.
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Portugal: aquele país onde ser filho de um electricista e de uma costureira (que acabou a sua fulgurante carreira a limpar o cu a generais dementes, após duas décadas de salários baixos na agora tão saudosa indústria têxtil) tem como corolário inevitável: a) o alcoolismo acéfalo; b) a imbecilidade crónica; c) a lobotomia intelectual motivada por auto-protecção; d) o ressentimento-diamante incrustrado em fracassos de ouro.
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O sub-conjunto d) é o grupo onde, como é bom de ver, se insere o lamentável autor deste post.

7 comentários:

alma disse...

Caro alf,
Não desapareço assim com tanta facilidade.:)
Estando eu ainda a digerir o post anterior (e a pensar que chatice tenho de dar um salto à fnac e ler o tal Real à borla).
Deparo-me com este novo post :) e concordo consigo há tanto lixo publicado :)são esses escritores de meia tigela que arruinam as livrarias :) aqui na net há melhor prosa que no formato de papel e isso diverte-me...
Graças a si li o lampedusa e atrevo-me a dizer que reconheço alguma semelhança na prosa com vossa excelência :)
mesmo quando não comento ando por aqui :)
Fique bem :)
e não desanime :)Lembre-se dos grandes :)
e por fim mas não menos importante gostaria de saber quem são os seus heróis na escrita :)))

alma disse...

eh eh eh
acabei de fazer um gelado com natas e licor de ouro com nozes :)
Vou-lhe chamar o meu gelado à moda alf *:))))


*ou ressentimento-diamante incrustado em fracassos de ouro :) LINDO !!!

AM disse...

caro alf

pediram-me para informá-lo que o livro da Alexandra (etc.) e o livro do Miguel Real se encontram esgotados num desses sítios da capital onde essas coisas mudam de mãos a troco de dinheiro

alma disse...

alf,
Fui atá à fnac e qual não é o meu espanto :) O real já esgotou :))
mas ainda consegui dar uma olhada ma Alexandra eh eh eh
parece o blog da pipoca mais doce
...

AM disse...

outro que esgotou foi o o livro do Car. do prof. CV
estou a ficar esgotado com tanto esgotamento (ou será ao contrário...)

alma disse...

AM,
Essa de as edições se esgotarem é artificio das editoras :) fazem edições de 5 livros de cada vez :)

basta ver que o expresso nos seus tempos aureos só vendia 100.000 exemplares num país de 10 milhões é pouco muito pouco :)
é tudo uma grande treta :)

AM disse...

vendia não
imprimia
é completamente diferente...
pensar nas tiragens dos jornais dá vontade de rir...