terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Nivelamentos

Não vou perder tempo com aquela tentativa de problematização político-filosófica denominada Arménio Carlos, um nome que parece deduzido das páginas mais encaralhadas de Fado Alexandrino, o único livro de António Lobo Antunes que vale o papel em que foi impresso. No entanto, julgo pertinente avisar tudo e todos que estando a situação literário-laboral a agudizar-se, e embora a deprimente procissão sindical me mereça um profundo e infinito desprezo, também não vamos lá com a prática do desporto que mais aprecio - o contínuo buling dos tolos e ignorantes (como é bom de ver não gosto da proteção dos humilhados, nem dos romanos, com a honrosa excepção de Ovídio) - e o mais que conseguiremos alcançar, ao desprezar a luta, é adiar o problema por mais alguns meses. Claro que a luta implica, antes de mais, a luta diária para tomar banho, para não fugir a Alváro de Campos, e nisto reside o principal e magno erro de todos os membros do Partico Comunista, mas é preciso não rejeitar a amplitude da tarefa: continuar a recomendar aos comunistas que se lavem, mas, simultaneamente, não permitir que o gordo de charuto manobre a sua fulgurante ignorância para cavar um quintal cujos efeitos acabam, mais tarde ou mais cedo, por nos foder a todos e ao mesmo tempo, para não fugir a Maradona. As duas guerras mundiais aí estão, em filme, cd, dvd e, até, revista à portuguesa, para explicar eloquentemente como o pouco cuidade, como diria Manuel Cajuda, se transforma num complexe probleme.

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