terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Terão as pessoas que utilizam o conceito de capital lido Marx: uma demonstração negativa.

Nada me move contra a interpretação marxista da história e devo dizer, a bem da verdade, que sou até muito devedor, pelo menos em cerca de 35% do meu poder testicular - que não tem sido prodigioso nos seus efeitos, até ver, mas se não se lavaram ainda os cestos, é vindima - do corpus marxiano onde se encavalitam os conceitos mercadoria, fetichização - o meu preferido - valor/trabalho, trabalho/valor, reprodução do capital - o meu segudo preferido - ou mesmo, alienação. E com isto somos chegados ao post da Raquel Varela, uma pessoa que, estudando o processo revolucionário português, devia estar na posse de conhecimentos que desmentem eloquentemente a aplicação da análise económica marxista à democracia constitucional do século XX, pela simples e eloquente razão de que, sendo a análise económica marxista uma ciência - a decomposição da reprodução das relações de produção - comprometida com uma técnica - a revolução comunista - estará, sempre e inapelavelmente tão batida como Rui Patrício no lance do primeiro golo do Marítimo. É triste que os organizadores de seminários universitários não consigam sequer manter uma bibliografia actualizada, pois Anselm Jape, um tipo que tentou a maravilhosa acrobacia de actualizar Marx na sociedade de consumo generalizado, acaba um livro deprimentemente esforçado e francamente honesto, a retornar a Aristóteles e ao seu conceito de boa vida. O que a Raquel Varela não descobriu ainda é que para se poder parasitar uma boa vida é preciso que o capital se reproduza, com ou sem a vontade dela, e que no dia em que os trabalhadores tomarem o poder, ou a Raquel Varela mantém as suas funções absolutamente desprovidas de valor trabalho ou vai ter de fazer uma mamada a cada um dos trabalhadores, ou vai, na melhor das hipóteses, ter de fazer qualquer coisa que possa ser trocada por um valor que os trabalhadores reconheçam como equivalente à quantidade de esforço dispendida pelos seus braços na produção de coisas como o caralho dos computadores onde escrevem os gajos que ainda pensam que o problema do capital é um problema sistémico, monstruosamente super-estrutural, e não a extremamente sedutora conjunção das putas das nossas mentes a trabalhar o desejo. Experimentem secar o capital reduzindo a procura de distinção que pode começar, por exemplo, por uma extinção automática dos cursos, e respectivas despesas, universitários em torno da revolução de 1974. Ou a Raquel Varela saberá mais sobre este assunto que qualquer velho desdentado nascido antes de 1945? Se é uma questão de estudo, então teremos que confiar nos banqueiros que estudam a distribuição dos meios de pagamento. Se é uma questão de legitimidade, temo que a tomada das universidades pelos trabalhadores vá terminar num prodigioso monumento à ignorância. Como diria a desdentada Paula Rego, as coisas, infelizmente, não são assim tão fáceis.

1 comentário:

binary solo disse...

mete o link do post de que falas sff