terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pequenininhos

Esta tentativa indirectamente construída para defender o Presidente da República, com recurso à ironia frouxa (muitas vezes utilizada por pessoas do tipo Rodrigo Moita Deus ou Pedro Picoito) é um sinal de que o argumento político, da esquerda à contra-esquerda, atingiu o seu nível máximo de decadência, e que a famosa e classicamente batida frase de Tucídides, «sagradas são as armas», ganhou direito de cidade. É que invocar actividades mais importantes do que chamar canalha ou estúpido a Anibal Cavaco Silva é um acto de desespero perante a dimensão homérica da tarefa. Não só a fronda contra o Presidente é um desígno nacional, desde que falhámos em 1908 uma verdadeira revolução burguesa, de tipo holandês ou, vá lá, inglês, com execução de todo o parlamento e processos sumários para análise e reciclagem da eficiência das classes mais educadas, como manifestamente há muito pouco que fazer num país onde as elites não têm mais do que João Gonçalves para apresentar como pessoa conservadora que no entanto leu muitos livros.

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