segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Paneleiros artísticos e homessexuais de classe

É extraordinário o que podemos aprender com homossexuais que pensam, e cito a título de exemplo, Oscar Wilde, pois articulam os sofrimentos da experiência minoritária (até prova rabal e cabal em contrário) com uma posição privilegiada na charneira das naturezas dominantes. E valha-nos Nossa Senhora, que teve um filho maricas, que existem muitos e com profunda e valiosa experiência. Uma das lições que Wilde nos deixou, na sua voz de ouro e púrpura, é que apenas indivíduos medíocres, artisticamente falando, com todo o respeito, estão disponíveis para louvar as obras, de proporções homéricas, de indivíduos semelhantemente medíocres, e novamente artisticamente falando, com o dobro do respeito atrás referido, porque o artista de génio não tolera uma visão artística que contrarie a sua natureza prodigiosa e única. Eu explico. Vasco Graça Moura é um erudito notável, sobretudo para o padrão muito débil desta nossa pobre comunidade, mas é, ao mesmo tempo e no mesmo espaço, um artista tão fraco, tão frouxo, tão ridiculamente esforçado, tão friamente construído com o cimento grosso dos que suam às litradas, entre milhões de livros especializados, para produzir um verso, que apenas a mediania intelectual dos cidadãos das letras portuguesas explica porque razão continua a publicar obra artística, empalada por lampejos críticos, quando poderia fazer crítica com verdadeira dimensão artística. Não há por aí ninguém que se ofereça para uma imperial e uma conversa a fim de salvar a pouca vida que lhe resta, convertendo-o a tarefas mais adequadas à sua falta de génio e inegável espírito moderado e trabalhador?

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