segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Antes da Europa, a escola, um pacotinho de leite e a higine diária

Creio que já aqui repeti diversas vezes que tenho novos propósitos, o que aliás se harmoniza com a conversão espiritual mais espectacular desde que Paulo caiu do cavalo a caminho de Damasco, passando não só a ouvir vozes como a proferir frases típicas de um cruzamento neurológico entre Manuel Cajuda e Philip Roth. Adiante. Henrique Raposo merecia ser sodomizado pelas obras completas de Thomas Jefferson mas à falta de encardenações suficientemente rígidas para o efeito vamos apenas demonstrar que o facto dos nossos média terem narrativas provincianas se correlaciona significativamente não só com o regresso a Salazar como à europeização de Portugal. Desde que Eduardo Lourenço começou a publicar sebentas e resumos das introduções gerais às obras de Hegel e Gil Vicente, onde apenas sobrevive um fedor intolerável a seminário e pipis de Viseu, que as pessoas (olá, pessoas) regressam, com a insistência do piolho, ao problema da Europa e do sentido de Portugal, enfeitiçadas por problemas de psicanálise nacional (José Gil e essas merdas) e direito comparado, o que é admirável, sabendo nós que a maioria dos cidadãos não consegue sequer organizar a sua própria higiene: basta invocar que Mira Amaral, um especialista em inovação e investimento em Angola, produz um baba branca, enquanto fala, e a submete alegremente aos seus interlucotores e espectadores, sem pestanejar, enquanto multiplica estratégias, tão confusas como a mente de Cristina Ferreira, para conduzir as empresas a ultrapassar dificuldades que economistas como Herbert Simon ou Ronald Coase não conseguiram solucinar .




Seria aconselhável que qualquer pessoa que visa comparar Portugal com a «Europa» começasse por: 1) definir conceptualmente o que é a Europa; 2) definir a posição relativa de Portugal face ao conceito. Mas o que é a Europa? Uma entidade geográfica? Uma agremiação cultural? Uma associação recreativa de países com excesso de livros publicados e tendências beligerantes e secretas atrações por genocídios? Um continente onde residem as gajas giras mais cultas do mundo? Um espaço de comércio de luxo? Se europeização de Portugal significa legislação laboral com mecanismos de punição e incentivo desenhados segundo um mínimo denominador comum em relação aos membros da UE, então eu diria que a europeização, e a Europa, pode ser consentânea com tudo o que quiseremos, incluindo o regresso a mecanismos fascistas, pois não se definiram os termos do raciocínio, e argumentos do tipo «a maioria dos países da UE possuem y comportamentos, logo y comportamentos são um dado positivo», apenas revelam que o autor é inculto, pensa mal e induz os leitores em falácias tão grosseiras que só uma imprensa provinciana - e que numa consistente coerência lógia contrata e apoia um autor estúpido, inculto e provinciano - pode tolerar e acolher nos seus braços peludos e brutos, habituados a serviços reles e pouco especializados.

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