quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Assador

Para não estragar o padrão distributivo da razão crítica na blogosfera, as pessoas inteligentes têm apoiado os argumentos aqui apresentados contra um dos momentos mais negros da clarividência artística em Portugal, senão mesmo um dos mais enigmáticos e espetaculares fenómenos de auto-ilusão, identificando a incursão dos Deolinda nos estudos de prospecção de mercado com a canção Se tivesse estudado talvez isto não me saísse tão mal, e poderia mesmo, quem sabe, captar um mínimo sentido deste gira-bola em que estou envolvido, como um dos mais eficazes solos auto-referenciais na busca para sedimentar uma visão do mundo que seja, basicamente, a mesma que sempre tiveram e que já os assiste com vigorosos fundamentos: por outras palavras, a canção de protesto que serve ao Presidente da CIP, à psicóloga fascinada por filosofias orientais, ao especialista em literatura angolana e ao José Manuel Fernandes, une toda uma casta de pessoas apostadas em desiquilibrar o jogo equitativo da democracia (já de si tão mal tratado) deixando à mercê das Igrejas e dos grupos terroristas as franjas realmente castigadas pelo mercado livre e por este mundo parvo onde os Deolinda (musicalmente aceitáveis) estão confortavelmente sentados na voluptuosa tribuna da crítica sociológica (uma área de actividade humana onde os Deolinda constituem uma espécie de degeneração sintomática) confirmando aquilo que todos estamos carecas de sofrer/ver, a saber: o mediatismo engoliu todas as fadas madrinhas do debate democrático, restando apenas o capitão gancho da ampliação jornalística, capaz de transformar a perna de um cabrito numa reflexão decisiva para o processo democrático, pelo que se abrem inscrições a um eventual Peter Pan que queira fazer alguma coisa deste complicado problema. Como diria o anormal do Vasco Pulido Valente, não lembrou ainda a ninguém responsabilizar as pessoas por dois singelos factores de precariedade: 1) a escolha do curso universitário onde as singelas pessoas investiram todas as suas fichas, por poucas que fossem; 2) qual o nível de empenho colocado durante o mesmo curso, resultante numa eventual média de curso, ou como diria Cajuda, terão as singelas pessoas colocado toda a carne no assador?

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