Quem está familiarizado com as boas práticas seguidas neste blogue, e seu decorrente trabalho de demolição de tudo quanto possam ser boas intenções artísticas em prol da indústria de bens culturais e da vida ambulante de músicos, pintores, escritores (ou marceneiros) adestrados na prática de vigarizar um público analfabeto no domínio da estética - não será este o sentido mais nobre da crítica?-, está completamente enjoado de saber que apenas um uso da inteligência estética me faz meditar ou hesitar numa determinada conclusão do meu espírito (de uma espécie rara e em vias de extição). Ora, tudo quanto aqui tenho dito em matéria de música portuguesa, não só está fundamentado por um conhecimento raro da música portuguesa (só para os mais distraídos abrirem os olhos quando pretenderem colocar a cabecinha de fora) como se encontra ponderado pelo confronto com pessoas que, ao contrário do bando de atrasados mentais que alimenta a indústria da dita música ligeira, gastaram alguns anos da sua vida procurando descortinar o sentido técnico de uma fuga de Bach ou de uma frase de Herbie Hancook (uma pessoa que eu não conhecia mas a que me tenho dedicado a conhecer). Quando será que os anormais comprometidos com a merda da música actual vão entender que por muito que os seus boçais corações estremeçam com os grunhidos desajeitados destes semi-analfabetos, estão a fazer o mesmo trabalho suíno de alguém que procurasse convencer a população portuguesa de que os Malucos do Riso - devidamente fundamentados pelo número de apreciadores - são um produto plenamente justificado de qualidade, novo, actual, perfumado, e que em nada aproveita ao público substituí-lo por Shakespeare, um indivíduo que sacrificou tudo ao seu trabalho, em vez de sacrificar o trabalho a todas as estratégias de mediação da visibilidade, incluindo a defenestração de pensamento. É sintomático que as reacções mais virulentas perante a tentativa de subir o nível da produção cultural na área da música (saudadas por nós com imperial entusiasmo, bem entendido) provenham de juízos proferidos por apreciadores da actualíssima geração musical (talvez membros dessa grande instituição de massificação de sensibilidades, a Igreja Evangélica). De uma vez por todas: Samuel Úria, Tiago Giulliul - ou parecido -, e, por exemplo, b fachada, não são pessoas diabolicamente comprometidas com a ignorância, nem se defende, em parte alguma, que devam ser banidas da sua actividade profissional, especialmente nesta época natalícia. Simplesmente, tal como já Nosso Senhor Jesus Cristo se indignava perante os hipócrtias, e não perante as galdérias, também eu me indigno perante os ambiciosos e não perante os histrónicos Emanuel ou Tony Carreira, pessoas a quem a realidade já mata de ridícul e contra os quais já existem exécitos altamente profissionalizados. Em suma, nós gostamos das alturas e da neve solitária das montanhas. Por isso, não vale a pena esconder que os referidos apenas músicos são produtos medíocres, sustentantos por uma ausência de sentido crítico, num país depauperado por década de analfabetismo (sobretudo musical) no âmbito de uma comunidade de consumidores de bens culturais cuja indigência, no plano do juízo estético, pertence à Liga orangina do meio cultural, sendo, nesse domínio, mais díficil encontrar uma grama de qualidade do que uma alheira de mirandela, superiormente fritada, no contexto da avenida 5 de Outubro. Quem der provas de conhecimentos de harmonia (superiores ao domínio do ciclo das quintas) que atire a primeira pedra à minha cabeça.
5 comentários:
No que concerne às alheiras bem merecia uma pedrada, já que as de mirandela não passam de um mito
Mas este extraterrestre animalóide que desceu à Terra nos anos 80 do século passado não desiste de espasmar verborreia sobre b fachada!!?? E será que não discerne o imbecil ridículo de invocar a "Arte da Fuga" ou as "Variações Goldberg" de Bach ou ainda Herbie Hancock (o de Maiden Voyage, presumo, e não o das recentes experiências de fusão que certamente soarão demasiado pop para os abanos auriculares do dito) para o fazer? Seria como se pelos anos 60 do século passado se invocasse a complexidade das cantatas de Stradella ou o Love Supreme do John Coltrane para desancar nos guedelhudos hooligans que apareceram nas terras de Sua Mejestade a gritar histéricos "She loves you, yeah, yeah, yeah; she loves you yeah, yeah, yeah; with a love like that you know you should be glad...", ou "Love, love me do; you know I love you; I've allways been true; so pleaeaeaeaease, love me do; oh, oh, love me do...".
Enfim, o extraterrestre reconhece que ainda anda às voltas com o contraponto e a harmonia e a tentar a custo decorar o círculo das quintas.
Não desistas pá, vai andando e tenta passar o serialismo e o dodecafonismo para ver se passas tamném a tentar o Luigi Nono ou o Xenakis ou o Emanuel Nunes; no jazz, provavelmente já terás então passado para o Greg Osby, o Jason Moran, o Michael Blake ou o Ben Allison; e na horrenda pop talvez te tenham obrigado a ouvir o Tom Waits e o Bonnie Prince Billy (deixa lá a Lady Gaga a não ser que estejas virado para os transexuais!!...); ou até o Manuel Cruz, o J.P.Simões e (vê lá tu) o B Fachada!! Bom mas isso só acontecerá lá para o século XXIII, por isso, até lá!!
P.S.: Não posso afiançar, mas pelos sintomas parece-me que a tua doença é hemorroidal; para isso há uns comprimidos de Daflon que aliviam bastante esses espasmos.
Calma. Tudo bem com todos? É com grande satisfação, pronunciado gáudio e exuberante alegria, que anunciamos a todo o auditório a substituição, num dos pontos de escuta da Fnac Chiado, do lamentável trabalho de b fachada, a saber, «b fachada é para meninos», por esse pico da realização artística, Romance hardcore, corações de atum, além do mais, feito por músicos que sacrificam o ego em prol do público, algo que, com todo o respeito, caro Zé-João Lopes, não está nem ao teu alcance, nem do b fachada, lembre-se, apenas um músico. Como certamente desconhecerás - e eu, na minha inesgotável paciência, não me furtarei a preencher essa grave lacuna - um dos mais significativos traços da indigência mental e da subjugação do entendimento a paixões obscuras, é a tentativa de argumentar com a chamada técnica da espetada transmontana. O que isso te deve ter custado de horas de wikipédia, chega a comover-me. Sobre estilo, nem mais uma palavra,pois já demonstraste ser um caso perdido: um ouvido que não distingue o facto de b fachada ser uma irrelevância musical não me merece nem mais uma vírgula. Também não tentarei salvar o domínio da língua portuguesa, pois, nessa matéria, a utilização de expressões como «abanos aurículares» (será uma tecnologia japonesa que funde num só produto uma ventoinha basculante e uns auscultadores portáteis?) ou «espasmar verborreia» (uma coisa que me escuso de tentar compreender)indiciam que estamos diante de um caso de insucesso escolar, o que explica o teu entusiasmo perante a desesperante falta de criatividade linguística, ausência de fulgurância de raciocínio e défice de emoção estética presente nos textos de b fachada. Em todo o caso, duas notas sobre o embrulho em que te meteste: a invocação do «serialismo e do dodecafonismo», (dois movimentos que já agora podias explicar no que se baseiam, do ponto de vista das inovações teóricas),das «experiências de fusão», com e sem drogas, das «cantatas de Stradella» - um compositor mais piroso do que Clemente - numa discussão sobre b fachada, é das coisas mais inolvidáveis que alguma vez foram produzidas no âmbito das caixas de comentário na blogosfera, para não falar da confusão mental que campeia numa pessoa que se refere a Emanuel Nunes (cuja obra desconheço em absoluto e que é uma nota de rodapé na historiografia da música ocidental, segundo apontam todos os estudos, incluindo as visões proféticas de Jorge Peixinho - um tipo que partia pianos com a cabeça), e Lady Gaga, um dos momentos mais altos da criação artística desde a colaboração de Isabel Silvestre com os GNR. Finalizo a minha colaboração para a ilustração universal, voltando a Kant, pensar é usar o entendimento, com uma última nota, no âmbito das ciências médicas, um assunto que preocupa todos os portugueses. A hemorroidal - resultante de dilatações venosas manifestadas pela pressão dentro do plexo hemorroidário (ou, como diria, Jorge Jesus,olho do cu)- é das coisas de que mais me orgulho, ou não tivesse Tchekov padecido do mesmo problema durante vários anos. Um grande abraço Zé-João Lopes e votos de persistência para comentários e projectos musicais futuros: uma coisa é certa, não será difícil fazeres melhor que b fachada.
Oh extraterrestre frustado. Já não há mais paciência para aturar a tua merdança. Dei-te matéria para te actualizares até ao século XXIII e agora querias explicações!!?? O que é o serialismo e o dodecafonismo? Se está habituado ( agora entendi tudo!!) a consultar a wikipédia vai lá procurar. Mas o melhor mesmo era tentares a inscrição nas Novas Oportunidades e procurares terminar a escolaridade obrigatória. Acho que eles dão bolsas de estudo a agricultores, principalmente se a sua origem é o Afeganistão.
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