sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

George Washington + Chamuça + Bárbara Guimarães + Imperial = Teoria crítica da ignorância olímpica de Henrique Raposo: uma pessoa, apesar de tudo

O dia começou de forma particularmente traumática, mas justamente merecida para quem confia, para lá de todas as previsões de risco, em despertadores com modo rádio, e se vê depois surpreendido, ainda mal refeito de um transe escatológico envolvendo a dentadura de George Washington e as mãos de Bárbara Guimarães, completamente nu perante a voz de Sarsfield Cabral (uma aplicação de Mr. Burns, Simpsons, em modo católico ) prevendo rachas ideológicas no Conselho Europeu. Mas isto nada é, comparado com o posterior contacto com a pura inspiração inter-estelar do cientista Henrique Raposo, uma pessoa que desenvolve raciocínios, julga acreditar que o Presidente Americano é um facto e domina a matemática como Maxwell. Atente-se no seguinte exemplo de razão prática:
Imaginemos que Raposo corresponde a x e a nossa torturada paciência a y. Se a variável altamentente dependente de x se torna função de y, isso quer dizer que Raposo terá uma distribuição de cacete muito regular, piorando as expectativas de x se estivermos na posse de um trem de facas Ginsu. Contudo, a nossa compaixão é do tamanho da ignorância de Raposo, (a natureza tem horror ao vazio) pois, pela enésima vez, aceitamos explicar tudo, desde o início, ao jovem cronista do Expresso. Os mercados, alegadamente segundo Alegre, refere Raposo, segundo eu próprio, estou bem obrigado, atacaram a política; parece que o poeta de Águeda deu a entender que «esta crise é o resultado da acção dos mercados financeiros» - uma entidade que está para a análise de Henrique Raposo como a vaselina está para a Avenida do Conde Redondo. Ou seja, Raposo acusa o candidato de sobrevalorizar «o efeito (mercados a apertar as exigências)», uma frase-síntese de um efeito, digna da revista Gina. Contudo, espanta-se Raposo: o candidato não olha «para a causa (estados viciados em dinheiro emprestado)», uma frase-crítica digna de uma festa de Verão da Juventude Comunista. Comecemos, caro Raposo, pelos mercados. Desde pelo menos 1935, em Cambridge, um local onde nunca sentarás esse rabo, a não ser para segurar a bandeja dos cafés, ou assistir João Carlos Espada na sua tarefa de fornecedor aos scholars de férias de verão baratas em universidades da europa do sul; portanto, desde que o Verão de 1935 cobriu de glória as flores desses abençoados relvados onde Marshall e Pigou ensinaram - pessoas que estavam longe de ser socialistas (vai ver ao google) - que todos os grandes prosadores como tu têm a obrigação de estar familiarizados com a atitude da ciência económica perante a acção do Estado, começando, justamente, por saber que a acção do Estado é fundamental para a forma como os indivíduos, dotados de cérebro, perseguem os seus interesses privados e individuais, ficando desde logo assente que a questão não seria se o Estado deve ou não actuar mas através de que princípios deve actuar, sendo a parte mole do problema (os túbaros, diria um snack-bar da Amadora) um ponto crítico, cuja articulação ainda hoje baralha taralhocos como tu, a saber, a definição da zona onde os interesses privados e sociais divergem. Parece que chegámos ao Estado Social pela mão de um Marshalliano (o que não quer dizer, Raposo, que este senhor provenha de Marte), Estado Social que, na tradição de Beveridge (vai ver ao Google), representa o domínio da decisão planificada em zonas detectadas por grande parte da teoria económica do século XIX (a mesma que pariu os mercados financeiros) como sendo passíveis de potenciais falha de informação e erros na capacidade de distribuição dos recursos. Como sabes, a interacção de um grande número de indivíduos coloca sérios problemas aos mecanismos de mercado, as famosas externalidades, alterando os resultados esperados da liberdade da natureza, uma coisa em que nem um Rosseau embriagado apoiava de forma incondicional. O exemplo do crescimento de uma grande cidade sob a acção dos especuladores é eloquente, sendo clara uma coisa que até custa a dizer, de tão simples e tão olimpicamente ignorada: não podemos esperar que uma mão invisível produza um bom arranjo geral do todo por uma combinação de tratamentos separados das partes. Se as externalidades tiveram êxito em comentadores sabujos, e menos sabujos, a divergência entre bem social e interesses privados entrou na clandestinidade, o que me obriga a este longo exercício de paciência para explicar porque razão os Estados (que também podem desenvolver mecanismos de coordenação da complexa interacção dos indivíduos) não devem deixar que os apertos, de um qualquer mamalhudo mercado financeiro, apesar dos claros efeitos de prazer, se tornem reféns da vontade de quem fornece o prazer, mesmo ficando os Estados maximamente dependentes do mesmo - o prazer -, uma vez que, no final de contas, serão sempre os Estados a pagar a conta dos novos soutiens necessários para contenção do desvario.

3 comentários:

silvia disse...

experimente:
Chamuça+Cocacola

silvia disse...

adenda.
Coca-Cola

Anónimo disse...

A coca-cola faz mal.