quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Foi você que pediu a uma empresa de marketing para forjar em lume brando este putativo candidato a primeiro-ministro

«Para António Borges, o Governo deveria estar a tomar medidas que estimulassem os portugueses à poupança e a "construir uma situação financeira sólida"». Estas declarações do Vice-Presidente do PSD seguem uma linha raciocínio clara: «advertindo que os países mais vulneráveis pagam um spread mais alto, o dirigente social-democrata assegurou que o Estado português está a pagar "muito mais (do que outros) pela dívida externa"». Na verdade, estava mesmo convencido, tristemente vergado pelo peso da realidade, sobre o papel de instituições como a Goldman Sachs neste tipo de desiquilíbrios entre bancos de investimento, ricos e pobres, spreads e dinheiro fácil ou difícil, para utilizar a terminologia cara ao senhor engenheiro Miguel Botelho Moniz. Contudo, estive mergulhado numa grande ilusão que logo se desvaneceu perante a lição do Professor Catedrático da Universidade Católica.
Devo dizer que este regresso à realidade lança sobre a minha sombra uma profunda dívida perante o ilustre Catedrático. Como serviço de gratidão, pelo seu sacríficio ao serviço da coisa pública, deixo à consideração do leitor um excerto da entrevista conferida pelo próprio à Câmara de Comércio Luso-Britânica. Com efeito, as relações comerciais luso-britânicas, desde a guerra da restauração e dos acordos comerciais em troca do financiamento das tropas da coroa de Portugal, têm sido verdadeiramente uma fonte de enriquecimento para a nação. António Borges deve, sem dúvida, vampirizar (verbo muito útil, normalmente utilizado por Rita Ferro Rodrigues, esse colosso da entrevista) o governo socialista pelo desiquilíbrio das contas portuguesas. Neste tempo de angústias financeiras, e dúvidas legítimas, uma coisa é certa: se houvesse mais comércio com a Inglaterra estariamos todos, mas mesmo todos, mesmo a velhinha que vai agora plantar a couve no chão da aldeia de Pedregosa em Fornos de Algoudres, estariamos todos, dizia eu, muito mais ricos.
Há, portanto, que escutar quem sabe e sobe. Por uma proveitosa e jovial leitura aprendemos, entre outras lições essenciais para a condução da vida, o seu amor ao Alentejo. Habituado aos verões na região de Alter do Chão, o catedrático Borges confessa que só está à espera do dia em que se instalará, definitivamente, na sua herdade de 600 hectares, herdade que deve ser, sem margem para dúvida, um alfobre de postos de trabalho bem remunerados na produção de vinhos e outras iguarias alentejanas. Espera o professor e esperam todos os que amam esta terra portuguesa, impacientes para vê-lo na condução do tractor entre vinha americana e pero rabagão. Como diz o velho ditado: antes do tractor a condução do que perante o governo de calças na mão. Confessa, emocionado, o catedrático: «Não há nada de mais maravilhoso como um dia ao ar livre no Alentejo, com aquela paisagem, aquele cheiro, aquele ­ambiente». Ora aí estão as declarações de um homem que conhece o sabor/valor do trabalho duro, rigoroso e exigente, principalmente sob o sol de Julho.

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