segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Carta aberta de um singelo porco a José Pacheco Pereira

Assistimos recentemente a um sobressalto das ideias sobre a blogosfera: António Costa (que nada de errado avista no caso das casas) e José Pacheco Pereira (mundialmente consagrada como o mais insultado bloguer), lançaram algumas críticas ao insulto anómino que grassa pelos blogues, seguido-se a requisitada reportagem no Público, onde se alertava para a irresponsabilidade dos Comentários insultuosos que nada trazem de «valor acrescentado» para a discussão pública. Pacheco Pereira lançou mesmo um número analítico: a blogosfera apenas se salva pelo 1% de conteúdos realmente interessantes (e com valor acrescentado) onde, certamente, teremos de incluir o Abrupto e alguns amigos mais. Entre outras valiosas contribuições, Pacheco Pereira resolveu rematar com uma frase de Sir Bernard Shaw, incluindo um porco, sujidade e pouca vontade de lutar. Parece que a blogosfera está cheia de pequenos e médios intelectuais (entre os quais tenho o prazer de me incluir) comparados nestas declarações ao porco que gosta de lutar, animal eternamente desprezado pelo cavaleiro de sua majestade a Rainha de Inglaterra. Pelo que um grande intelectual jamais deve lutar com o porco sob pena de: sujar as suas mãos nas imundícies que banham as viscosas peladuras do porco; dar um enorme prazer ao porco já que este encontra um delicioso prazer neste vil acto da luta. O homem superior, de qualidade racional, ponderada e vasta cultura, jamais deve perder tempo com micro-intelectuais (esses porcos do pensamento).

Como porco que sou, devo retornar agora ao meu curral a fim de prosseguir o meu micro-trabalho de produção de estrume, insulto e luta. No caminho deixo-vos uma outra frase de Bernard Shaw que não frequenta Abruptos, não mete porcos e não anda pelos lábios de grandes intelectuais.

«A escravatura humana atingiu o seu ponto culminante na nossa época sob a forma do trabalho livremente assalariado», Bernard Shaw

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